Moçambique nossa terra gloriosa, pedra a pedra construindo um novo dia, milhões de braços uma só força. Ó pátria amada vamos vencer.
Conversando, todos dizem que esta região de Moçambique onde estou é uma das melhores do país. As montanhas que se erguem de maneira majestosa em meio a savana, propiciam uma brisa que afasta um pouco o calor africano que está quase sempre a suar e queimar a pele, além do que oferecem um grande entretenimento de domingo para aqueles que gostam de andar pelas comunidades conhecendo a região e terminar a caminhada subindo uma montanha. Além das condições climáticas e geográficas favoráveis, o povo da província de Manica é muito acolhedor e amigo, fora o estranhamento muzungo que por vezes incomoda ambas as partes, me sinto sempre seguro e confortável com o povo daqui.
Quando estive em Maputo por alguns dias (Maputo fica próximo a África do Sul) não me senti tão confortável assim. A cidade é daquele tipo que fica grande sem saber o porque, muita gente vivendo em um espaço que não provê estrutura ou condições de morar, comer ou se locomover. Não pude ir a muitos lugares, já que o transporte é um martírio, lembro de um dia que saí para conhecer o centro mesmo da cidade, e fiquei lá andando, entrando em mesquitas, lojas e etc... quando vi o sol já estava em seus ultimos momentos de raiar. Comecei aí a procurar por um chapa que me levasse de volta para o bairro onde fica a casa dos DIs, mas este era o chapa que menos passava... e quando passava estava em situações que não havia como pensar em entrar ali. Esperei 1, 2, 3 horas até que passasse um chapa em que eu pudesse entrar com um mínimo de dignidade, mas bem mínimo. Como já disse os chapas são um tipo de lotação, mas muito pior, e os de Maputo em especial, tem um Q de crueldade já que as pessoas vão sentadas, depois pilhadas em cima das sentadas e depois para fora, apoiadas em cima das que estão pilhadas. Enfim, depois de esperar por 3 horas fui na categoria pilhados, e estava me equilibrando, deixando os joelhos duros e me segurando no assento do motorista com uma mão e apoiando no teto (que estava a 2cm da cabeça) com a outra, me esforçando para não sentar, literalmente no colo de um rapaz que estava na posição dos sentados... após observar a situação pela qual eu passava, num esforço hercúleo para não sentar em seu colo, o rapaz disse... tudo bem amigo, pode sentar... mas eu me mantive forte até chegar a meu destino. Resumindo, Maputo não é uma cidade muito amigável.
Em um feriado viajei a Beira, praia que fica ao oriente de Chimoio coisa de 5 horas, lugar lindo... as praias do oceano índico, muito salgadas e nem tão cristalinas, mas não por sujeira e sim pela areia pesada. Lá em Beira existem dois navios (que já enviei as fotos) que encalharam na areia e por lá ficaram, enferrujando e abrigando crustáceos... estes barcos juntos ao farol davam um tom meio surrealista a praia do Estoril (eee Portugal) aonde há uma vila de pescadores que trazem grandes camarões (parecem lagostinhas) e vendem o kilo por Mtn 150,00 (USD 5), além de peixes grandes, saborosos e baratos. Em Beira as pessoas são um pouco mais malandras, praieiras ou algo assim... durante a noite muita gente se aproximava dos muzungos no bar... e ofereciam uma putaria ali... um taxi aqui... sempre deixando aquele sentimento de golpe no ar.
Estas três cidades que mencionei formam um triangulo, onde Maputo está embaixo, Chimoio a esquerda e Beira a direita... daqui para cima... the Bush baby... mata, selva e animais... ainda terei a oportunidade de ir a alguns lugares ao norte, creio que eles serão ainda mais longes daquilo que em terras ocidentais chamamos civilização. Que bom.
Moçambique é um país uniformemente pobre... extremamente pobre... quando digo pobreza me refiro a falta de água, alimento, esgoto, estradas, transportes, comunicação (exceto celular)... um vasto portifolio de doenças, pestes, epidemias.... mal nutrição... o povo daqui sofre e muito, isso não é localizado é em todo o lugar.
Esta situação de pobreza é a consequência de muita coisa que deu e daria muitos livros, porém tem um cheiro no ar que me lembra muito um problema bem brasileiro... a merda do ‘jeitinho’ que pode ser chamado de corrupção... acomodação ou coisa parecida, então esse mesmo, mas assim como a maioria das coisas aqui exagerado... Talvez o passado em comum sobre assuntos como Portugal, escravidão, colonia etc, crie esta vontade de ser muito esperto que acaba por deixar que os mais espertos nos enganem.
Aqui na ADPP eu me deparo as vezes com situações que não acredito... a situação acontece, eu olho, reflito e não acredito. A falta de vontade sobre as coisas é impressionante e me assustou muito nas primeiras semanas, a grande maioria simplesmente don´t give a shit. Alguns professores e funcionários daqui veem os DIs como uma grande oportunidade de fazer um pouco menos e tentam jogar seu trabalho em cima de nós, se você aceitar, passa aqui um tempo fazendo o trabalho deles... No caso de você precisar da ajuda de alguém em algo que demande mais que 2 minutos de atenção ... ishhh yowê, vai ser difícil. Essa parte lenta da coisa as vezes me deixa perplexo, mas as vezes me faz pensar, será que eu que estou errado? Oras, eles estão aqui, vivendo muito mal, na minha opinião... mas essa é a minha opinião... eles não conhecem o que eu conheço como civilização então para eles aquilo é algo que passa na novela brasileira a noite. Talvez me preocupo demais, mas confesso que continuo com a mesma opinião.
Andar pelas ruas de poeira de Moçambique (asfaltadas geralmente só as principais dos centros e as 6 rodovias do país) é um flerte com a fama, isso para um muzungo. Praticamente todas as crianças (que são muitas) que encontro, ou acenam, ou vem e pegam na mão ou fazem uma brincadeira ou coisa assim, na verdade o mesmo acontece com os adultos. Esse negócio de pegar na mão me intriga um pouco, já que a sociedade aqui é extremamente machista... um homem pode ter várias mulheres, a mulher é considerada pelos homens um tipo de nada, não existem gays ou eles se escondem muito bem... mas nas ruas é muito comum ver homens de mãos dadas e vira e mexe um quer andar de mãos dadas comigo... é uma cena estranha, mas bem comum que já me habituei a ver... as crianças sempre andam de mãos dadas, brigam muito mas estão sempre de mãos dadas, são pessoas muito carinhosas na verdade.
A população é muito jovem por dois motivos principais (sempre eles), as pessoas se reproduzem demais, muito cedo e também morrem muito cedo. Não é fácil ver pessoas realmente velhas, e quando você pensa que elas são velhas, na realidade são marcas de uma vida difícil. A má nutrição e a AIDS são as principais causas (1 em cada 5 moçambicanos tem AIDS) e isso reflete em uma sociedade com muitas crianças órfãs, que são criadas por outros parentes ou ficam pela rua ou em orfanatos. É muito difícil crescer em recursos quando as bases são essas, as crianças muitas vezes não tem quem as eduque, o déficit de professores é enorme e aqueles que se propõe ao ofício infelizmente não tem uma formação adequada. O fato é que vejo aqui algumas iniciativas internacionais que tentam alguma coisa, ou fingem... um governo que paga em dívida mais do que em saúde e educação juntos e condições de crescimento muito difíceis, mas nada é tão fácil assim.
Moçambique tinha reinos poderosos na época das primeiras explorações portuguesas... o império de Gaza ao sul e o Monomotapa na região central onde estou eram prósperos, porém assim como toda a África, por condições internas, foi sujeito ao tráfico de pessoas e posteriormente a pilhagem européia. Durante os anos de ocupação portuguesa nos séculos passado e retrasado, dizem que muita coisa foi construída aqui e realmente a quantidade de ruinas é muito grande, acontece que segundo a historia (por que segundo ao Coutinho, que é português, Portugal só trouxe prosperidade) após a saída portuguesa forçada de suas possessões africanas, os mesmos destruíram tudo o que tinham construido com as riquezas do país e deixaram como herança uma guerra de desestabilização que foi uma das mais sangrentas do pós neo-colonialismo na África... as facções que depois se tranformariam em Renamo e Frelimo, os dois partidos majoritários, guerrearam pelo domínio do país ao ponto em que tudo o que existia foi destruído. A guerra acabou em 1994 e portanto Moçambique é um país em reconstrução.
Em Outubro acontecerá a eleição para presidente no país, o mandato é de 5 anos e o sr. Emílio Guebuza, atual presidente e partidário da Frelimo será reeleito pela grande maioria dos votos. Nas ruas se encontra a cada 10m alguem fazendo campanha para a Frelimo, mas nunca vi ninguem fazendo campanha para a Renamo. A Renamo é o partido dos portugueses que desestabilizaram enquanto a Frelimo é o partido dos Moçambicanos que lutaram pela independencia (contando a história política com se fossem quadrinhos) portanto a eleição é um tipo de validador para esta nova ‘democracia’ da República Popular de Moçambique (ufanista) que elegerá a Frelimo em Outubro.
Estando longe do Brasil, hoje em dia tenho outra idéia de Brasil. Aquele lugar que talvez seja o mais perfeito com todos os seus defeitos, é realmente um país abençoado, onde apesar de encontrarmos muita desigualdade e guerras internas temos em geral uma vida muito boa, cheia de oportunidades e possibilidades. Os jornais que tenho lido (não brasileiros) colocam o Brasil como um dos países mais independentes da política mundial para sua prosperidade (NYT) ou como uma potência política consolidada no ocidente, junto aos EUA (Times) e isso foi mostrado essas semanas com o caso do presidente hondurenho. Nos tempos recentes o Brasil passou a ter também outra importância política no contexto mundial e acredito que isso pode ser muito bom para nosso povo criar aquilo que ainda falta um pouco, que é a identidade brasileira, de um povo forte, cheio de defeitos, mas que convive em paz, trabalhando e buscando ,por mais que as vezes não pareça, uma situação melhor. Nos Estados Unidos comecei a perceber que eu como brasileiro, não dava o devido valor ao meu país... os made in EUA admiram nosso país e aquele negócio de que vivemos na selva na verdade vem de gente ignorante, aqueles que possuem mais conhecimento sempre diziam alguma coisa de bom sobre o Brasil, nunca ouvi nada ruim, se eu fosse made in EUA isso seria diferente.
Aqui em Moçambique, nós somos o primo rico. A cultura brasileira tem sido muito difundida por aqui, por meios torpes como a televisão, mas por meios mais dignos como boa música, profissionais (médicos, professores, engenheiros), escritores e empresas. Grande parte da pequena estrutura que vem sido criada é feita por empresas brasileiras como a Odebrecht ou Andrade Gutierrez, os aviões das empresas moçambicanas são Embraer. Como nem tudo são flores também tem muitas igreja universal do reino de Deus. Enfim, o que queria dizer sobre o Brasil em meio ao post Moçambique, é que essa simpatia e admiração (acredite) que o mundo todo tem por nós, nos abre portas que muitas vezes não sabemos que estão ali. Se você ai no Brasil trabalhar durante algum tempo com um salário médio vem para Moçambique e vira empresário... aqui tem muito o que crescer e isso vale para outras esferas também, os brasileiros são muito bem vindos na reconstrução deste país e não por filantropia mas por simbiose já que nós que estamos economicamente e socialmente também mais ‘avançados’ podemos contribuir para o avanço de tantas nações que necessitam de ajuda externa, tendo talvez o papel que um dia já foi dos EUA, mas desempenhando este papel de forma diferente, mais brasileira (ah que medo!!!). Uma coisa seria muito boa para todo brasileiro... se desvenciliar da imprensa de massa de nosso país que fatura em cima da ignorância e faz questão de mostrar um Brasil pior do que ele é... leia um pouco da imprensa internacional (nem todos os dias) e veja o que dizem do Brasil...
E viva Moçambique!
Aquele abraço
Obrigado pela visita!
Morei um tempo bom em Michigan e viajei boa parte dos EUA em treinamento para o trabalho voluntário relacionado a educação que agora faço em Moçambique. Em Fevereiro de 2010 irei de Moçambique a Israel em uma viajem cruzando por terra, em transporte local, Tanzania, Kenya, Ethiopia, Sudão e Egito. Escrevo este blog como maneira de compartilhar minhas experiências e bobagens com todo aquele que ache interessante e fale português.
thiago_caro@hotmail.com
Wednesday, September 30, 2009
Moçambique
Posted by Thiago Caro at 12:08 PM 1 comments
Wednesday, September 16, 2009
Um pouco de trabalho, lagartos e crocodilos
Ola,
Um post rapido...
Primeiro digo que consegui carregar algumas fotos e criar um albúm novo... O albúm eh chamado Moçambique, mas graças a lentidao da net por aqui não reconfigurei o blog e portanto para ver as fotos de Moçambique, clique na bandeira dos EUA! São poucas fotos e tenho centenas que ainda não adicionei, mas vou mandando pouco, pouco, como se diz.
Agora estou podendo fazer um pouco mais, na verdade nas primeiras semanas ainda por conta da malaria estive me sentindo um tanto quanto inútil, gastando meus recursos e precioso tempo. Não digo que é ruim estar aqui, pelo contrário, conhecer este mundo que para mim fazia parte apenas de livros... mas depois de tanta coisa nos EUA para vir para cá, quero fazer alguma coisa que valha a pena e essa história de muzungo que vem para a Africa ‘fazer a diferença’ já me deu nas bolas. A maioria de nós vem para cá e por uma razão ou outra fica num Safari de 6 meses com pequenas intervenções . Na verdade não é fácil, de boas intenções o mundo está cheio como diria um velho deitado, mas a realidade aqui ao mesmo tempo que abre muitas oportunidades para bons olhos, fecha muitas para nem tão bons, já que as pessoas mesmo não querem mudar muita coisa, como disse, trazer rede de supermercado, lanchonete e outras coisas que estamos acostumados para cá seria um crime, mas água encanada, estrada e energia elétrica não seria suficiente para tirar a identidade do lugar e faria as pessoas poderem pensar em outras coisas. Se perde horas buscando agua ou indo para a cidade.
Como todas as oficinas pedagógicas possuem computadores e dinheiro, já que a Kellogs patrocina, estou fazendo um programa que gerencie as entradas e saídas das oficinas, pois acreditem ou não, NADA é contabilizado, muitas vezes se pede dinheiro para tal coisa e ninguém nem anota em lugar nenhum... ora... quando as coisas funcionam assim das duas uma, ou ninguém se importa com o dinheiro (difícil) ou tem gente ganhando com isso (muito mais real). Essa semana descobri que a segunda opção é uma certeza, só não sei como se presta contas a Kellogs... ok posso imaginar.
Nas primeiras conversas sobre a implantação do sistema nas 10 oficinas da província de Manica, que farei em Novembro provavelmente, percebi que não será fácil fazer com que a ferramenta seja mesmo utilizada, o fato de não haver contabilidade me dá a certeza que o dinheiro não é utilizado para aquilo que é ganho, nem a verba da Kellogs ou de NENHUM dos projetos de geracao de renda, como as machambas, ou serviços de informática, ou pasmem! cursos... já imaginou algum lugar que dá cursos, o dinheiro entra e ninguém sabe o que é feito... ou para onde foi... ou pior, o quanto foi.... pois é, assim mesmo. Conversando sobre cade o dinheiro? as respostas mais ultrajantes para a inteligência alheia foram dadas... só faltou ouvir: Não é da sua conta. Mas infelizmente é da minha conta e quero incomodar com isso.
Ainda sobre as oficinas pedagógicas, temos 35 computadores, dos quais 34 estão parados! Computadores novos... configuração boa... parados. Coloquei 10 para funcionar hoje na oficina daqui e os outros ainda ninguém conseguiu me dizer satisfatoriamente para onde vão. É assim que as coisas funcionam aqui, hoje também arrumei um depósito que a oficina tem, cheio de produtos de informática, esportes, aulas... advinha! Nada de inventário, as coisas entram, as coisas saem, ninguém sabe de nada.
Sei que o padrão moçambicano não permite muita organização, mas vá a merda isso já é estupidez, ou muita esperteza.
Falando de coisas muito melhores... as crianças... como é gostoso dar aula para elas... e para mim não tem sido muito difícil, já que não sei bem porque, se pelo fato que sou diferente fisicamente, ou pela minha maneira de explicar as coisas ser totalmente diferente dos professores daqui, por falar coisas que elas nunca tinham ouvido antes, ou por tudo isso junto, elas prestam uma atenção na aula, que tenho certeza que não conseguiria ter no Brasil. Enquanto falo e enceno, elas ouvem, perguntam, fazem cara de descobrimento... vem depois da aula e me perguntam... é verdade que existem esses vulcões... ou me explica de novo como é que se formaram aquelas montanhas... ou qualquer coisa... acaba as aulas, algumas como o Adão ou o Capitão vem comigo até quase minha casa, perguntando sobre um monte de coisas, muitas das quais não há resposta para, inclusive. O nível é muito baixo, na minha sala de 7 classe tem criancas com 12 anos até 18... algumas com muita dificuldade de aprendizado, algumas que se destacam demais, se interessam demais, querem saber muito. Infelizmente não tem muita oportunidade. O professor Cláudio agora fica bem quietinho nas aulas que assiste e percebi na ultima que ele anotava as coisas que eu falava, acho que foi um avanço.
Ah sim, sobre os lagartos e crocodilos, no fim de semana fomos a um parque de crocodilos em Messica, uma cidade próxima... muitos crocodilos pré históricos, num lugar que lembrava muito o cerrado... não me arrisquei a mergulhar no rio. hehe. Domingo uma andança para a montanha mais próxima daqui... na verdade eu e o Rodrigo iamos a cabeça do velho onde se vê o Zimbabwe, mas no meio do caminho encontramos o Abdul (um menino da escola) que disse nos guiaria para lá, já que é uma caminhada na mata de 2horas e meia... vamos lá Abdul... mas ele se confundiu e nos levou para outra montanha (acredite!), tudo bem, a vista era boa e no caminho muitos lagartos... pequenos, mínimos, médios, dinossauros... brancos, pretos, coloridos... isso ai.
Até que não foi tão curto
Aquele abraço
Posted by Thiago Caro at 10:39 AM 1 comments
Wednesday, September 9, 2009
Algo bom a fazer
Ola,
Depois de alguns dias com bastante preguiça de computador cá estamos de novo, em uma noite de lua laranja ouvindo um bom chorinho.
Em um dia da semana passada que não me recordo qual, Bobby me liga a noite, quando já estava a dormir (jeito moçambicano) e me pede para ajudar a preparar uns computadores para a feira de tecnologia de Chimoio... quando ouvi a informação ela me soou estranha, mas estava meio dormido, então acordei as 6:00 como combinado graças a meu telefone despertador. Pela manhã já acordado a notícia me soou um pouco mais estranha ainda... feira de tecnlogia em Chimoio? Converso com o Bobby que me informa um pouco mais sobre a tal feira e me mostra a proeza que deseja eu execute... instalar o sistema que funciona em um computador cliente, com servidor lá nas terras frias dinamarquesas em um computador normal. Esse é o sistema que os alunos da EPF utilizam para dirigirem seus estudos e as matérias pelas quais se interessam, o nome é DMM e na verdade ele é bom mesmo... as pessoas que o utilizam tem acesso a uma base de dados gorda, sobre praticamente tudo que se imagine e podem escolher um tema que vai de lições bem básicas a exercícios mais avançados... a maioria das não muitas vezes que o utilizei nos EUA buscava lições de agricultura, matéria pela qual comecei a me interessar lá, mas ainda sou uma grande anta.
A instalação do sistema e da biblioteca digital (com uns 1000 livros) demorou um dia para ser feita, configurada e tudo mais... uma grande canseira mas terminada no dia, já que a feira seria no seguinte.
No seguinte a grande feira... chegamos as 7:00 a.m por que era o horário marcado e Bobby não gosta do horário moçambicano. Porém os moçambicanos ... aaahhh como eles gostam. As 7:00 logicamente não havia ninguém montando nada ainda e demorei uns 15 minutos, para com ajuda de um senhor que agora me foge o nome, montar nosso grande stand, armado em cima de uma mesa capenga coberta com uma capulana, o local, o clube muçulmano de Chimoio. Se o caro leitor acompanhou a linha do tempo, as 7:15 já não tinha mais o que fazer e o fato de que a feira começaria as 2:00, que acabara de descobrir, começava a me preocupar mesmo por que esqueci de pegar o livro que estava lendo e meu celular só tem o jogo da cobrinha que vai comendo bolinhas de não sei o que no caminho... passa uma manhã infinita e pelas 2:00 as pessoas entram na feira finalmente, porém havia sido dito que a governadora da província de Manica estaria lá para ‘cortar a faixa’ porém... a governadora é moçambicana.
Os ‘stands’ tinham variadíssimos temas e descobri que não se tratava de uma feira de tecnologia mas sim uma feira de qualquer coisa que tivesse a ver com desenvolvimento... então estavam lá 2 faculdades, outras ONGs, senhoras que tinham raízes para qualquer problema, armadilhas ninjas para caçar cobras e etc... Foi uma tarde agradável, fiquei com 2 estudantes explicando para quem interessasse sobre o que é o DMM, biblioteca digital e o trabalho da EPF... a governadora (fato que me surpreendeu, já que mulher aqui não é muito respeitada) que é bem moçambicana chegou as 5:30 para cortar a faixa e quando terminou de passar em todos os expositores a feira acabou... naquele dia, já que nos 2 seguintes continuaria, porém não para mim visto que tinha terminado meu trabalho, tudo funcionava e os estudantes são aptos a explicar sobre sua ferramenta de estudo de maneira satisfatória.
Nos dias que já eram fim de semana, motivados pelo fato que segunda, 7 de Setembro (ahhh Brasil!!!) também é feriado aqui (dia dos acordos de Lusaka que foram parte do processo de independência de Moçambique, Zâmbia e Zimbabwe) todos nós DIs fomos a uma casa de outro projeto da Humana que fica em Beira... uma praia muito gostosa, no melhor estilo bahiano, porém no oceano Índico e com o atrativo de possuir em suas areias os restos de 2 navios, um bem grande, abandonados lá desde tempos que não sei quais. Os navios a frente do farol davam um tom meio surrealistico para a praia e a água de cor mais escura e bem salgada, porém limpa, era bem diferente da suja que tinha perto da casa dos DIs... para a praia chapa é claro. Outra coisa curiosa sobre aquela praia era a água brotando da areia, no limite de onde a maré cheia chegava... me lembro de ter visto isso uma outra vez no Rio Grande do Norte e na verdade não sei o porque aquilo acontece, sei que em lugares onde haviam pedras maiores, a água chegava a jorrar. Peixinho na brasa, sol de rachar o coco e um primeiro contato com o índico que ainda pretendo conhecer mais, o soldo que a Humana paga não é nada quando convertido ao USD por exemplo, mas por aqui é mais do que suficiente, ainda mais por que sempre se consegue carona e para voltar viemos na boléia de uma pick up que tinha até cobertura. Carona de luxo!
Ontem pela manhã a primeira aula com as crianças na escola infantil da EPF, Formigas do Futuro... para elas, ciências sociais do professor Muzungo (brincadeira). Estava meio nervoso com certeza mas passou depois de um animado “bom dia querido professor!” e fiquei lá com elas na próxima hora explicando sobre o continente americano, os oceanos que banham... um pouco sobre o descobrimento do continente e como a América influi na história da Africa pelo colonialismo, porém de maneira um tanto quanto básica, por que percebi o que já tinha percebido, o nível não é de uma 7 classe como no Brasil. Não que o ensino no Brasil seja muito bom, não.... mas pelo menos tem um sistema de ensino que ainda que capenga é melhor do que a completa bagunça. Deixando de lado sistema de ensino e limitações acho que foi uma boa primeira aula, as crianças ficaram bem quietinhas enquanto eu falava, e bem faladeiras na hora que era para elas falarem. Acredito que a idéia seja que para cada conteúdo que o livro indica como o curriculo deles, deve-se partir do ponto 0e tentar ao máximo ser simples na explicação sem ser autoafirmativo (como os professores daqui) ou tratando a criança agindo como uma. Nunca fui educador e para mim isto não é e não será fácil, porém assistindo outras aulas lá na escolinha e pelas intervenções do professor que acompanhava minha aula, percebi que posso trazer algum benefício... os professores que me desculpem, mas lhes falta muito conteúdo, muita humildade já que falam asneiras inimagináveis como se fosse uma verdade universal, e muita didática já que algumas vezes por aqui penso na escola que meu pai sempre me contou frequentava quando criança... Uma cabana, com um professor gritalhão que não controla os ânimos pelo que está explicando, mas sim por berros ou objetos atirados (!). Hoje não sei, mas senti uma perplexidade por parte do professor que acompanhava minha aula, as crianças pareciam interessadas, me arrisco a dizer que realmente estavam... ficavam quietinhas e tentavam responder as perguntas que deixava no ar... por vezes ele fazia intromissões com gritos sem sentido, repetindo uma decoreba que poxa vida... num funciona né... algumas vezes cheguei a pensar que ele queria tumultuar o que tava harmônico. Foi uma boa experiência e toda segunda, terça e sexta estaremos juntos, como se diz por aqui...
É isso aí, a lua já se moveu bastante e a preguiça de computador ataca novamente.
Aquele abraço
Posted by Thiago Caro at 5:57 AM 2 comments
Sunday, August 30, 2009
A Morte do plasmodium e outro ritmo de vida
Morra protozoário de uma figa!!! Morra!
Depois de alguns dias de uma estranha dor de cabeça e cansaço corporal, me sinto bem novamente e creio que a medicação contra a malária tenha funcionado... no começo da próxima semana voltarei ao ‘laboratório’ para testar novamente (com seringa nova) se restam traços deste protozoário incoveniente em meu sangue.
A semana foi relativamente lenta para mim pois tinha que repouzar e ficar meio quieto, porém percebi que não foi tudo lento somente por minha vontade, o ritmo aqui é muito mais lento do que na Bahia, por exemplo... Os horários são algo bizarro, marca-se algo para as 15hrs porém as 17:30 começa a discutir se aquilo que era para ser feito as 15hrs deve ser realmente feito... lá pelas 19:00 chega-se a conclusão que ... não, melhor deixar como está pois pode ser que venha a se perder muito tempo fazendo aquilo... Isso não é exagero, funciona assim mesmo e as vezes um pouco pior... no dia que voltamos das olímpiadas das EPF por exemplo, o ônibus deveria partir as 16:00 porém pelas 19:30 começou a entrega de troféu! Pelas 21:00 o ônibus partiu… é o padrão.
A completa ignorância a horários marcados reflete na verdade uma falta de compromisso de muitos com aquilo que deveria ser levado a sério.... ontem por exemplo fui a inauguração de uma pequena biblioteca feita com a ajuda do Luís, um DI brasileiro aqui da EPF, em uma escolinha para crianças bem pequenas dentro da comunidade de Nhamatanda ... a escolinha é na verdade uma cabana um pouco maior, com algumas carteiras que o Fábio, meu companheiro de quarto italiano conseguiu para as crianças e um professor, o Inácio, que é uma dessas pessoas apaixonadas que não ganha um tostão e dá aula de tudo para a mulecada, consegue dinheiro para comida e tudo o mais... Ficamos lá dentro da escolinha, sentados na frente das crianças, junto ao quadro negro... eu os amigos já citados e o Rodrigo... falamos algumas coisas para as crianças até que chegam os representantes da comunidade, um pastor evangélico (vocês não imaginam quantas igrejas evangélicas existem por aqui... Record é um canal aberto e passa novelas da GLOBO!!!!!!!) e um senhor representante do bairro Nhamatanda... o estado deste senhor foi algo que me envergonhou profundamente, o ‘representante’ da comunidade estava bêbado, mas bem bêbado mesmo... falando nada com nada lá na frente das crianças.... olhávamos um para os outros incrédulos com aquilo, mas na verdade nem tão incrédulos assim pois infelizmente isso é visto com certa normalidade.
Ao chegar na EPF as duas primeiras semanas são para ambientação e para se adequar a realidade daqui, que é bem particular... conhecer as comunidades, escolas, cidades e etc... porém me cansa um pouco ficar olhando e portanto adiantei meu processo um pouco com o Bobby estes dias para já começar a fazer alguma coisa de verdade... como estava me comunicando bastante com ele antes de chegar aqui pudemos definir em linhas gerais o que eu vou fazer e aonde... agora na segunda feira começaremos a definir horários (já que nem eu, nem ele somos moçambicanos) e tudo o mais...
Na escola EPF que prepara os professores que vão para as escolas de ensino médio (nome brasileiro) vou dar aulas de estatística básica para os professores dos professores, já que estes nunca tiveram aulas de Estatística, porém vivem colhendo dados para que as mesmas sejam feitas... recebem os resultados e nem olham direito para eles... para eles também vou montar um curso curto de introdução a Economia.
Na escola formigas do futuro que também é da Humana, porém para crianças orfãs até a classe 7 que chegam a ter até 17 anos, vou dar aulas de ciências sociais e esta na verdade é uma das funções que me deixa mais empolgado... conversando com a Doca, que é diretora da escolinha, percebi que posso ter uma grande liberdade de assuntos e métodos na aula, mesmo por que não há um programa de aulas seguido a risca, algo como o horário moçambicano... minha idéia é não fazer eles ficarem copiando aulas, ou decorando nome de continente ou coisa assim... vou conseguir um globo terrestre, fazer um sistema solar com alguma coisa que for adequada ainda não definida e mais algumas idéias que vão surgindo... Aqui irei passar apenas alguns meses, depois vou embora... portanto creio que não adianta tentar ensinar nada mais a fundo desejando que eles aprendam sobre colonização por exemplo... porém neste curto tempo talvez possa instigar que eles busquem mais para a frente saber mais sobre coisas que não fazem parte apenas do dia a dia... daquilo que eles vêem... da machamba (plantação) ou o que seja... que saibam que há lugares muito diferentes e que ao olhar para o céu eles não estão vendo muita coisa que lá está. Com as crianças, vou seguir com o projeto de geração de renda que o Fábio começou... há um forno, no qual os mais velhos fazem pães que são consumidos pelas crianças e futuramente a idéia é faze-los de folha de moringa (uma planta que possui uma quantidade de vitaminas que não imaginava existisse em apenas uma fonte) e vender os mesmos a comunidade, gerando alguma renda.
A Humana possui oficinas pedagógicas em escolas do governo por todo o país, nestas oficinas que possuem sempre algum computador, são dados cursos que ajudem as pessoas locais a gerar alguma renda e administrar esta renda gerada... Algumas oficinas estão na província de Manica (estado, onde está Chimoio) e vou viajar para estas oficinas dando cursos de 3 ou 4 dias sobre hardware de computadores... quando estive em uma das oficinas em Sussundenga, dos 4 computadores, 3 estavam com problemas de fácil resolução que poderiam ser liquidados caso alguém próximo tivesse algum conhecimento, portanto estas aulas tem como objetivo também deixar uma pessoa como responsável por estas pequenas manutenções em todas as oficinas que for.
Com certeza vou me frustrar com várias coisas pela frente, sei muito bem que partindo do ponto em que eu defino com o Bobby o que vou fazer, até o ponto em que tudo seja realmente feito há muito tempo... e o horário é moçambicano, porém tentemos não é.
Espero também que o sr Anopheles leve seus plasmodium para bem longe, por que as pessoas tem malária aqui na frequência de gripe e a cada malária uma grande quantidade de energia tem que ser recuperada e um bom tempo é perdido.
Aquele abraço
P.S – Mais algumas fotos
Posted by Thiago Caro at 2:30 AM 1 comments
Wednesday, August 26, 2009
Boas e más
Ola,
Ontem fui a Sussundanga com o Rodrigo para conhecer uma oficina pedagógica e algumas escolas da região... escolas de barro, com 3 ou 4 alunos por carteira e uma merenda que se resumia a massa de milho... a mesma cena que tenho visto sempre por aqui, crianças magras, escolas miseráveis, merenda de massa de alguma coisa, nada de água, cozinha a céu aberto, ensino deplorável. Teoricamente ao chegar lá teríamos um homem da Humana que nos acompanharia para alguns lugares nesta fase de ambientação que estamos passando, porém como a grande maioria das coisas que a humana planeja, não havia planejamento algum, ficamos relativamente inúteis por um bom tempo.
Ainda durante a manhã houve a encenação de uma peça que os alunos estavam ensaiando a um bom tempo em uma oficina pedagógica, o tema, crianças órfãs que não tinham como ir a uma escola e mudar um pouco sua realidade... foi muito boa dadas todas as limitações que são passíveis de imaginação... a peça teve que ser interrompida pela metade pois começaram muito tarde e as crianças deveriam voltar as aulas da manhã, como sempre muuuuuito planejado e estruturado, pude sentir a frustração, estava legal mesmo, muitas, mas muitas crianças assistindo... tudo bem.
Após isso eu e Rodrigo fomos a biblioteca para conhecer um pouco do que eles lêem e tentar passar um tempo... o Rodrigo achou um livro que o título era algo do tipo ‘a culpa é desta tal liberdade’... eu peguei um de história que tinha mais erros e tendências do que jamais vi... porra deixa os livros... na mesma biblioteca chega um rapaz de um programa do governo chamado geração biz... que busca treinar pessoas das comunidades para atuarem como ativistas informando a comunidade sobre as epidemias e prevenção de doenças... meu Deus, o entrevistador estava passando por apuros... as pessoas que chegavam se candidatando (voluntariamente) á função, mal sabiam falar direito... ele tinha que recrutar 35, pelo que vi passou por grandes dificuldades...
Mais a tarde fui encontrando algo para fazer... na oficina pedagógica 4 computadores proviam toda a informática existente num raio de não sei quantos kilometros... dos 4, 1 não funcionava e 2 tinham sérios problemas de comportamento... deixei eles funcionando e me senti um pouco útil... passando o tempo, o professor que encenou a peça das crianças me perguntou se seria possível que eles encenassem novamente para que eu filmasse e eles enviassem a mesma a não sei qual companhia de Maputo, tentando expandir um pouco o horizonte, disse: claro! Aí eles encenaram a peça inteira e a filmagem ficou boa... também tirei bastante fotos e espero que eles tenham algum êxito... pelo menos pude fazer algo até o final do dia...
Hoje pela manhã acordei estranho... ontem o Fabio, meu companheiro de quarto foi ao médico pois estava sem voz, com dores de cabeça, tosse... resultado: Malária.... hoje minha vez... dor de cabeça forte, tosse, coriza, cansaço... na verdade parecia que algo andava dentro de mim... e andava mesmo... o tal do Plasmodium adentrou a meu ser (olha que romântico) em alguma destas noites que se passou...
O fato de que vários de meus companheiros por aqui tenham me dito que o tal remédio para a malária é um placebo, não fez com que eu não utilizasse o mesmo, estava tomando ele certinho, como não costumo fazer com remédios... mas, esta merda é um placebo mesmo e não serve para nada, portanto hoje joguei todos fora... vale a dica para meus amigos voluntários que logo estarão aqui... nem pega o remédio por que só tem efeito colateral (o Rodrigo passou malzasso) ocupa lugar na mala e não serve para nada... talvez para que se justifique mais alguma despesa no IICD. Enfim...
Fui a clínica aqui perto e pedi para que fizessem o teste da malária... pedi para que fosse feito aquele que tira o sangue da veia mesmo, por que funciona melhor e tal... o que fura o dedo apenas as vezes da negativo, mas a verdade é positivo... melhor clínica da cidade... vou reproduzir meu diálogo com a enfermeira...
T – Olá, pode fazer o teste com a seringa por favor
E – Por que ?
T – Porque aquele do dedo as vezes não funciona...
E – Mas o sangue não é o mesmo?
T – Sim, mas sei de pessoas que fizeram com o dedo e deu negativo... fizeram com a seringa e deu positivo...
E – Ok, mas o problema é que as seringas acabaram de manhã (!!!) mas eu tenho uma aqui que não sei se foi usada (aberta)
T – *¨&%## você tá maluca!!!!!!!!!! Seringa usada...!!!!! põe a luva e tira do meu dedo mesmo....
E fiquei perseguindo ela para me certificar que pelo menos o do dedo seria novo....
É isso aí... tiro a preocupação daqueles que porventura venham a se preocupar, pois a malária deve ser tratada com seriedade e é assim que estou tratando... descobri logo no começo o que tira muitos riscos da doença... usualmente as pessoas por aqui morrem ou ficam com sequelas por causa da doença por que não tem acesso a médico e só vão procurar alguma ajuda de verdade quando a doença já avançou bastante... bastante mesmo... fico alguns dias por aqui de molho, o que atrasa um pouco meus planos mas tudo bem... agora cuido da minha saúde, pois não esqueço de mim mesmo... com a medicação que estou tomando daqui a uma semana este parasita já não deve mais dormir comigo...
Finalmente coloco algumas fotos.
Aquele abraço
Posted by Thiago Caro at 12:01 PM 3 comments
Monday, August 24, 2009
Primeiras impressões de um Muzungo
Sem revisão ortografica por que vai acabar a bateria e estamos sem energia eletrica.
Ola!
Sim, agora sou Muzungo... já tive muitas denominações na vida, porém esta é completamente nova para mim, assim como muita coisa aqui, Muzungo significa homem branco... andando pelas comunidades quando uma criança me vê as vezes faz cara de assustada, as vezes de surpresa, as vezes apenas ri... após um aceno ou um ‘tudo bem’ racha o bico de rir e vem atrás de mim... aí começa a análise, o Muzungo tá comendo um pão AHhauHAUhau.... ou o Muzungo tá conversando AHuahUHAUha.... minha simples existência é motivo para que elas caiam na gargalhada... isso acontece com aproximadamente 98% das crianças que nos vêem... os Muzungos... os outros 2% ficam com medo.
Após a viagem maluca para chegar aqui, a sexta feira foi um dia de primeiro reconhecimento... reconhecimento da escola... das oficinas pedagógicas... das pessoas, tanto alunos quanto DIs como eu, professores e o Bobby, estadounidense que meio que toma conta dos estrangeiros que vem para cá... pareceu ser muito entregue ao trabalho e bem companheiro dos DIs na tarefa de arranjar um lugar aqui e uma maneira de ser realmente útil... por tudo que tenho conversado por aqui, esta ultima parte não será fácil, já que há um programa de formação dos professores já estabelecido, onde o estrangeiro possui um papel de vir com inovações e um certo policiamento dos professores da escola que por vezes (pelo que me contam, muitas vezes) são bem falhos, não sabem sobre o que estão ensinando e por este motivo os professores não costumam ser muito receptivos com os DIs, nos vêem muitas vezes como aquele que vem para policia-los e dar aulas em seu lugar. O ensino por aqui é mais do que ruim, o nível é muito baixo e percebe-se em pequenas conversas que falta muito conteúdo e os alunos aqui são os professores no ano que vem... entre os professores já há um déficit imenso de informação, imagine entre os alunos... além do mais o governo de Moçambique faz o favor de atrapalhar já que desde o ano passado regulamentou que o treinamento dos professores deveria ser de 1 ano ao invés de 2 anos e meio como era anteriormente... então não se pode esperar muito mesmo, visto que o ensino de base é muito ruim e ao terminar o ensino de base o aluno já está apto a começar o treinamento para ser professor... e então em um ano ele já é professor!!! Ora, em um estalo que se faça o professor!!! A desculpa dada pelo governo foi de que é necessário acelerar o processo de diminuição do analfabetismo para que em 2015 se atinja o famoso e ridículo Millenium Goal das Nações Unidas... então que se faça rápido qualquer professor.
Voltando a parte mais amena da coisa, as condições por aqui são relativamente muito boas... as vezes temos água encanada que vem de um lençol bem limpo... quase sempre temos energia elétrica e temos também internet que não é de maneira alguma próxima de ser rápida, mas existe... isso que importa. Divido uma pequena residência com mais dois DIs, o Kuda, do Zimbabwe, muito gente boa e engraçado por demais e o Fabio, um italiano maluco que já trabalhou no Senegal, em Ghana e tinha dreadlocks de 12 anos que iam até o joelho, muito companheiro... um maluco beleza de primeira categoria, ambos tem feito um bom trabalho por aqui em seus projetos e dividir a residencia com eles é um prazer. A residência em si é extremamente simples mas muito suficiente, o teto é de palha trançada em estilo moçambicano com uma lona por baixo que faz com que a quantidade de mosquitos e insetos exóticos seja reduzida... a parede de tijolos de barro funciona aparentemente muito bem já que por aqui não há terremotos ou tufões ou coisa parecida... dentro uma pequena mesa e dois beliches que ficam extremamente charmosos com as redes contra mosquito instaladas... as janelas, coitadas, essas não estão funcionando hehe, tenho que gastar um tempo na manutenção das mesmas já que a malária bomba por aqui... do lado de fora um banquinho excelente para jogar conversa fora e tomar um cafezinho, mas com moderação por que as cobras não podem ser avistadas pela noite e suas cabeças triangulares indicam peçonha... do lado mais duas casinhas no mesmo padrão alojam outros DIs entre eles o Rodrigo, meu amigo de IICD... O banheiro é coletivo para todos nós e possui um chuveiro de funcionamento complicado, ele teoricamente é quente, porém na prática é bem gelado e por vezes não possui agua! O que obriga uma caminhada ao poço para coleta de H2O que deve ser gentilemente jogada sobre o corpo com uma canequinha estrategicamente colocada no banheiro.
A comida merece um parágrafo... aqui temos o benefício de uma cozinheira que faz sempre o cardápio básico moçambicano, Xima com alguma coisa... a Xima...ah a Xima, tem um gosto de nada, cheiro nenhum e forma indefinida, é uma pasta de farinha com valor nutritivo zero que tem a função de te deixar em pé e acompanhar aquilo que vem junto que pode ser um frango (com gosto bem diferente dos EUA) ou um peixe que ainda não sei qual é, mas que feito na fogueira fica uma delícia... temos também as vezes arroz com feijão, com um tempero meio que diferente mas muito melhor que o meu famoso feijão que sempre queima... quando o prato é feijão com arroz é feijão com arroz e mais nada. As frutas são ridiculamente baratas e me aproveito muito para complementar essa rica dieta com elas... um cacho de bananas é dois meticais (USD 0,06) e meia dúzia de laranja 5 meticais... e há muito mais diversidade também... pela manhã sempre faço ovos com tomate que junto com o pãozinho feito na hora de algum vendedor local fica uma delicia... Aqui na cozinha temos garfos, não facas mas garfos... porém no final de semana fomos a Nhamatanda, em outra EPF onde aconteceram os jogos olimpicos dos alunos, na primeira refeição a surpresa!pego meu prato cheio de Xima e um pedaço de frango e saio a procurar meus talheres... estranhamente não os encontro e pergunto a um rapaz que estava cozinhando (erro, pois vi como eles estavam cozinhando(higiene zero)) cadê os talheres meu amigo? .... talheres? Hein? Oi? Oque? Neste momento percebo que todo mundo come com as mãos! Ahhhh caralho, vamos lá... e dois minutos depois parecia que comia com as mãos desde crinça... mentira, um desconforto da porra que pioraria muito no jantar quando o prato foi arroz! Puta merda arroz com as mãos foi foda. Acostume-se.
Os jogos olímpicos foram uma boa maneira de conhecer gente e se alocar um pouco melhor no estilo de vida daqui, vi várias modalidades, joguei bolinha de gude com a mulekada e conheci outras comunidades igualmente pobres (para não dizer miseravelmente pobres) onde as condições de higiene amedrontam. Na cidade de Nhamatanda havia um cinema!!! No estilo africano, uma casa de palha um pouco maior, com bancos de madeira e uma televisão com um DVD Player!!! Atração da comunidade. A noite de apresentações de música e danças foi muito rica culturalmente para mim... eles tem uma energia que impressiona quando a matéria é diversão, após jogarem o dia inteiro se apresentaram até altas horas da madrugada e no outro dia estavam jogando novamente, aquelas roupas coloridas e movimentos de corpos feitos em borracha são espetaculares. Conheci lá outros DIs vindos de diferentes países e trocamos muita informação, além disso também reencontrei o KBS amigo do IICD também que está trabalhando numa cidade próxima.
Hoje pela manhã saí com a Grazi, outra DI, pois estava passando muito mal a noite e achava que estava com malária, felizmente após o teste no hospital o resultado negativo a aliviou... ela me apresentou a Eliza, uma médica brasileira que trabalha no hospital de Chimoio e nos faz o teste de graça e sem pegar uma gigante fila que fica a fora... ok, um privilégio Muzungo que irei me utilizar... pela tarde fui com dois alunos conhecer as escolas da comunidade e em meio a crianças que me cercavam e tocavam o Muzungo aqui conheci a todas... muito simples, todas elas... 40, 50 crianças por sala e um frio na barriga me possuiu, Meu Deus, logo mais é minha tarefa controla-las e tentar passar algum conhecimento... eles tem uma energia que não condiz com o valor energetico da comida que possuem, nem com suas grandes barrigas em pequenos corpos que mostram que dentro deles há algo com o qual tem que dividir sua escassa comida. Muitas escolas e os dois alunos fizeram um bom papel de cicerone me ajudando muito a começar entender melhor esta realidade. Minhas 2 primeiras semanas serão assim, conhecer as escolas, professores, comunidades para entender melhor o que pode ser util, amanha viajarei para uma comunidade mais ao norte onde a Humana possui oficinas pedagógicas para entender mellhor como elas funcionam...terminando este período devo começar a fazer algo que ainda não está claro em minha mente...
Um grande abraço
Posted by Thiago Caro at 10:45 AM 3 comments
Friday, August 21, 2009
Um dia a se lembrar...
Ola,
Hoje fiz a viagem a Chimoio, cidade onde fica o projeto que irei atuar aqui em Moçambique... na verdade fiz uma parte da viagem e foi um dia que posso dizer inesquecível, um dia de confronto com a realidade. Ver pelo National Geographic é uma coisa, tocar é outra.
Deveria sair as 4 da manhã da EPF de Maputo, onde fiquei estes dias na capital de Moçambique e comigo seguiria na viagem o Andrew sul africano que trabalha em um projeto mais ao norte de Moçambique e faria o mesmo trajeto. Não consegui dormir direito mais uma vez, ainda não estou acostumado com o fuso horário e acordei as 2 da manhã... banho longo pois não sei quando será o próximo, preparar uma comida e pé na estrada... pelas 4 chega o motorista que nos leva até a central onde pensava eu, pegaria um ônibus para Chimoio, que fica a 1.400km de Maputo... pensava eu. Chegando na estação me confronto com um monte de chapas (a lotação) que fazem viagens para todos os cantos do país... inacreditável, então a viagem de 18 horas (previstas) seria feita num chapa e não num ônibus, ou melhor em um Chibombo que não passa de uma van um pouco maior... na ‘estação’ encontramos um chibombo que estava se preparando para este trajeto.... um caos, uma desorganização fenomenal... pessoas discutindo pois estavam no chibombo errado e o cobrador não devolvia o dinheiro... polícia para resolver... colocar as malas na van, um sacrifício, muitas malas... todas as pessoas e mais as suas malas vão na van... caberia nela umas 15 pessoas, vão 26 e mais as malas... 18 horas!!!! beleza.
Depois de muito tempo de confusão, chega-se a um resultado ridículo na arrumação das malas, elas caem para todos os lados... passageiros sem o bilhete discutem com o cobrador, crianças pequenas começam a chorar. Neste momento o rapaz que estaria ao meu lado a viagem toda adentra a van... bêbado como um porco, sem o bilhete, discutindo com todo mundo, com um cheirinho que hummm, dava gosto! Nos acomodamos finalmente e o rapaz todo serelepe não para um minuto, pensava que já estava bem apertado lá atrás, no banco eu o Andrew o bêbado serelepe e agora uma senhora entre nós... movimentos eram proibidos, me lembrei do videozinho do avião que recomenda sempre para que de duas em duas horas levante-se para algum movimento nos pés, pernas e tal... mas ali não tem serviço de bordo e me contento com a não mobilidade. A van deixa a estação, começa a odisséia.
Rapidamente o rapaz bêbado mostra que seria um problema, cai para todos os lados, em cima da senhora, nas costas da senhora que o xinga o tempo todo em uma língua local inteligível para meus ouvidos... a senhora se remexe, me aperta um pouco mais o Andrew perguntando o tempo todo... are you ok? e rindo, como se ria... até ai tudo bem, ou quase, mas a situação piora no momento em que as malas começam a cair em cima de mim, da senhora e do bêbado... o bebâdo dorme e com a sutileza de qualquer bêbado cai em cima da mulher como uma pedra.. ela xinga mais... e assim permanecemos por umas 4 horas até a primeira parada... Voltamos da primeira parada e a cena se repete com o agravante que o bêbado traz consigo uma garrafa de vinho, começo a ficar preocupado no momento em que ele abre o vinho dentro da van com uma faca enorme, a senhora xinga... o bêbado vai caindo agora com o vinho na mão... eu observo e me expremo...
A cena se repete por mais umas 4 horas até a próxima parada, com exceção do fato que todos na van começam a se rebelar contra o bêbado... as malas caem, essa segunda parada foi cinematográfica, num vilarejo em meio a muito pouco, ao parar a van todos os tipos de vendedores vem e começam a bater no vidro, vendendo de tudo... desço da van para comprar uma coca-cola (água, rá, nem pensar) as crianças ficam me olhando com ar de curiosidade... ensaio uma brincadeira com elas que começam a me tocar com ares de ‘é real mesmo’ tive a impressão que se não fui o primeiro fui um dos primeiros ‘brancos’ que elas viram... elas me cercam, os mais velhos oferecendo pão, suco, farinha, coco... entro na van. Neste momento os ‘organizadores’ (estou cheio de ‘’ hoje) da van reorganizam as malas (ahuHAUhua) a situação piora por incrível que pareça... a senhora se rebela e diz que não senta mais lá... fica o bêbado do meu lado... neste momento já em um estado de latência... vai dormindo caindo em cima de mim pelas horas que seguem... Nesta hora já estava bem relaxado e apenas rindo da situação.
Quando são umas 4 da tarde.... pufffff a van está envolta em fumaça... era o que faltava, essa porra quebrou.... quebrou e não tem concerto... passam-se algumas horas para que com todos fora da van, motorista e cobrador se decidam o que fazer... e eles decidem não fazer nada, é isso aí... desculpa rapazeada mas fudeu mesmo, sinto muito. As pessoas ficam injuriadas, estamos no meio do nada, como de costume... no horizonte vejo o sol imenso, laranja, como no filme do rei leão se pondo na savanah, penso meu Deus que lugar é esse, ao mesmo tempo em que são esquecidos por toda a humanidade olha só essa natureza... humanidade aqui é pouca... numa das discussões que observava calado numa experiência sociológica moçambicana um homem meio que revoltado diz que o moçambicano... e se atreve, que o africano não respeita o próprio negro, eles não conseguem conversar só se movem quando a discussão passa para a força... e é o que constato como verdade, as pessoas pediram por muito tempo, calmamente para que o cobrador devolvesse o dinheiro de parte da viagem, o que me parecia o mínimo, mas com uma atitude muito desrespeitosa o indivíduo não fala nada... só devolveu o dinheiro quando ameaçaram capota-lo... fiquei com mais alguns pedindo carona e no primeiro que parou falaram para que eu fosse... mas porque? tem umas 3 senhoras com criança nas costas, elas tem que ir primeiro... fico lá ainda por um bom tempo, conseguimos várias caronas finalmente pego minha carona.
Nossa carona foi uma pick up que levou a mim, Andrew e mais três homens na caçamba em direção a um vilarejo próximo (que não me lembro o nome agora), fomos na caçamba por umas três horas ouvindo os barulhos da mata, vendo as estrelas no céu (que é incrivelmente estrelado, é claro) e nos encolhendo do frio, já que o rapaz da pick-up como todos os africanos que me dirigiram até agora, gostava da velocidade... algumas vezes que olhei o velocímetro me assustei, a velocidade era 150.. 160... chegamos ao vilarejo e a cena era surreal... no meio da mata mesmo aparece uma vila, com bastante gente na rua... muitas fogueiras, festas em todos os lugares.... muita música... reggae, música brasileira, música moçambicana... casas de palha, todas as casas são de palha... entramos em uma estalagem (creio que seria o melhor nome) onde passamos a noite, no lugar muitos quartos, todos xexelentos, em meio a uma grande fogueira que produzia água fervida para tudo que necessitasse água... Vou com o Andrew até a frente da estalagem onde vendiam comida, estamos famintos, olho a comida e peço uma bolacha e uma coca-cola, meu estômago ainda não deve estar preparado para aquilo que via, fico lá na frente observando... as casas de palha, as pessoas dançando reggae, muito alcool, várias fogueiras, crianças na rua, discussões... peço um cigarro, ponho meu sleeping bag no chão e vou dormir...
No dia seguinte acordamos as 6 da manhã pois seguiriamos com o caroneiro para Ishope, uma cidade mais a frente, de onde eu e Andrew poderíamos pegar um chapa que nos levasse a Chimoio, bunda na caçamba e vamos de novo de carona com o corredor... antes de sair vou muito inocente escovar os dentes num banheiro bem limpinho! Ahhh inocência, água encanada.... rá.... vou pedir um pouco de água para um senhor (foto ao final) que gentilmente me arruma uma garrafa com água fervida... alguma higiene feita, percebo por que as pessoas geralmente não tem um cheiro maravilhoso... não tem água, oras, eu estava fedendo....vamos para fora da estalagem e a cena era bem diferente daquela a noite... muitas mulheres com suas crianças nas costas indo buscar água em algum lugar, mulheres vendendo frutas, crianças vendendo de tudo.... cade os homens??? Ahh estavam lá no reggae a noite bebendo, havia aprendido no IICD que por aqui a mulher tem o papel de trabalhar, cuidar dos filhos e tudo mais, mas na realidade me parece um pouco pior, raramente vejo um homem trabalhando... muitas mulheres e crianças... Até este momento havia perdido boas fotos por bobagem, estava meio que na segunda de tirar minha máquina que parece muito cara e ficar lá pagando de branco fotógrafo... as pessoas não são ruins, muito pelo contrário são muito trabalhadoras (excluindo homens na melhor idade produtiva) gentis, se ajudam demais, gostam de trocar, conversar... porém quando se passa fome, uma máquina fotográfica pode significar dois meses de alimentação... pergunto ao Andrew, você acha que posso tirar umas fotos? Ele diz claro, tira uma de mim! então saco a câmera e tiro umas fotos, umas crianças que observavam vem em minha direção correndo... tira uma de mim!!! tira uma de mim!!!... tiro várias fotos e mostro para elas que se riem demais... e me rio com elas, olha que bonito que você ficou nessa foto... putz mas esse cara é feio demais! e ficamos lá rindo um pouco antes da van ir embora... na verdade estou me acostumando a essa realidade que para mim é muito cruel e por mais que soubesse que existe, assim como você... estudar sobre ou saber que existe não é a mesma coisa que vivenciar essa loucura.
Seguimos viagem e no caminho mais quatro jovens que pediam carona entram na caçamba, chegamos a Ishope em 1 hora eu e Andrew pegamos a van para Chimoio que como de costume vai lotada, mas de maneira mais humana desta vez... finalmente chego após 31 horas de viagem a EPF.
Enfim, pensei agora em escrever um pouco sobre minhas primeiras impressões sobre o projeto, mas já escrevi demais e as primeiras impressões muitas vezes enganam, numa próxima escrevo sobre isso... estou aqui em Moçambique a muito pouco, terei muitas opiniões sobre tudo ainda, porém estes poucos dias até chegar a Chimoio foram suficientes para estampar em minha cara que a realidade aqui é mesmo muito, muito triste, por mais que não venha de um país rico como o Brasil, onde existe a miséria, falta muita coisa... aqui todo mundo é pobre, a diferença está apenas entre pobres, muito pobres e miseráveis... não há estrutura nenhuma, as cidades são apenas aglomerados de gente... a capital é um caos... as casas são em sua grande maioria de palha... não tem água ou energia elétrica em muitos lugares... não tem comida para muita gente... o transporte é degradante... Eu pessoalmente sempre gostei de me aventurar, de encontrar aquilo que para mim é desconhecido, sempre quis trabalhar com educação por mais que não tenha feito mais que poucas aulas voluntárias de história, pessoalmente eu tenho certeza que alcançarei meus objetivos aqui, também sei que não mudo o mundo e daqui a 6 meses quando fizer o mesmo caminho de volta verei a mesma realidade, com os mesmos problemas e tudo mais, mas realmente quero contribuir um pouco que seja para que de alguma maneira algo melhore, não apenas com o dinheiro arrecadado lá em Michigan que está muito longe agora, mas com as pessoas que realmente precisam muito de pessoas que auxiliem a sair desse ciclo vicioso de sofrimento.
Aquele abraço
Posted by Thiago Caro at 7:45 AM 5 comments