Não posso deixar de mostrar minha satisfação... Li agora que o Kassab foi kassado em primeira instância do cargo de prefeito de São Paulo. Que alegria! acho que o DEM (democratas ou demagogos ?) aquele partido que era chamado Arena está mesmo chegando ao fim e junto a ele alguns dos maiores símbolos dos maus hábitos políticos. Espero que quando recorrerem a sentença algum juiz de verdade como aquele que kassou em primeira instância seja escolhido e este erro absurdo da população paulistana (eleição daquele ridículo) seja corrigido.
Por que São Paulo merece muito mais.
Obrigado pela visita!
Morei um tempo bom em Michigan e viajei boa parte dos EUA em treinamento para o trabalho voluntário relacionado a educação que agora faço em Moçambique. Em Fevereiro de 2010 irei de Moçambique a Israel em uma viajem cruzando por terra, em transporte local, Tanzania, Kenya, Ethiopia, Sudão e Egito. Escrevo este blog como maneira de compartilhar minhas experiências e bobagens com todo aquele que ache interessante e fale português.
thiago_caro@hotmail.com
Sunday, February 21, 2010
Rapidinha
Posted by Thiago Caro at 7:27 AM 0 comments
Adeus Chimoio... Olá Africa
Olá,
Esta semana foi minha última em Chimoio, fim do trabalho voluntário e começo da minha viagem saindo do sul e chegando ao norte de Africa.
Fiquei em Chimoio 3 semanas além do meu tempo programado... em parte por que apareceu a idéia de montar a loja de roupas de segunda mão na formigas do futuro (escolinha) e tentei ajudar na medida do possível... em parte por que a EPF ficou me enrolando um monte com meu período de investigação, quando deveria levar algumas caixas de livros para uma oficina pedagógica ao norte de Moçambique. Me cansei de esperar.
A despedida nas formigas foi foda... puta vontade de chorar com aquelas 300 crianças cantando e dançando, como parte da cerimônia dancei um pouco com elas e acho que até mandei bem ou pelo menos foi bem engraçado ver o muzungo lá no meio da roda fazendo pirueta. Não menos difícil foi me despedir do Adão e do Capitão que foram lá na EPF no último dia, esta não aguentei e choramos um montão juntos... da mesma maneira que eles se apegaram muito a mim, me apeguei muito a eles e foi dífícil mesmo...
Saí de madrugada de Chimoio rumo a Beira, cidade de onde fui com um ônibus descente rumo norte até a cidade de Nampula. A Beira já conhecia bem (aquela praia com os navios encalhados na areia) e acabei por ficar o dia descansando com a pequena excessão de uma volta pelas lojas paquistanesas para tentar vender meu lap top e meu gameboy... vendi os dois por um bom preço o que deve me ajudar na viagem.
Novamente pelas 3 da madrugada saí da pensão em direção ao sítio de onde saí o ônibus TCO, única empresa de ônibus em Moçambique e que opera o trecho entre a capital Maputo até Nampula, passando por Inhambane e Beira no caminho. A viagem de Beira a Nampula demora com o TCO 17 horas e com o transporte comum (alguma coisa com rodas e motor) um tempo indefinível além do desconforto também indefinível, portanto resolvi pagar um pouquinho mais e ir com o ônibus que possuia ar condicionado, televisão e lanchinho... impressionante quase esqueci que estava em um transporte moçambicano, vale cada centavo pago. Ah, uma coisa curiosa... o chapa que me levou de Chimoio até a Beira de madrugada era uma coisa surreal... o motorista com seus 180kg e camisa florida era um figurassa daqueles bem raros mesmo... instalou no microonibus um microfone e caixas de som e ia narrando a viagem... "senhores passageiros, passamos agora por Dondo" " Senhores passageiros vamos começar a cobrança, fila do fundo por favor" sobre a cobrança um detalhe... ele cobrava o dinheiro que chegava passado de mão em mão ao mesmo tempo em que falava ao microfone! uma hora olhei para ele e o vi contando dinheiro e falando ao microfone, me perguntei... cadê a mão no volante? parei de olhar. Só faltou ele dizer "senhores passageiros, obrigado por arriscarem suas vidas conosco!"
Enfim, após 17 horas precisas no ônibus confortável chegada a Nampula (sem pinto, em Romeno!) uma cidade sem muitos atrativos porém local onde amanhã tenho que novamente extender meu visto moçambicano e já próximo a Ilha de Moçambique e Nacala. Em Nampula, que é uma das poucas cidades de Moçambique, encontra-se de tudo... comida, restaurantes simples e uma boa variedade de acomodação variando dos 400 aos 2000 meticais. Escolhi a Pensão Parque que por 500Mt oferece uma cama bem dura, um banheiro sem água e uma televisão! olha que luxo... alguns bares com cerveja barata também são encontrados na cidade, o Sporting Club Nampula, o restaurante Nampula e o Restaurante parque são opções boas e baratas. Há uma igreja muito grande para os padrões locais assim como uma mesquita, aqui também está a estação do trem que vai ao Malawi e o museu de etnologia de Moçambique que visitei hoje e foi interessante... muito pouca coisa exposta mas alguns artefatos pré-históricos interessantes... ao fundo do museu alguns artesões vendem seus belos trabalhos.
Daqui sigo amanhã para a Ilha de Moçambique e depois para Nacala... a comunicação começa a ficar um pouco difícil ainda mais sem meu lap top agora, porém quando possível mando mais um post.
Aquele abraço
Posted by Thiago Caro at 6:17 AM 1 comments
Sunday, February 14, 2010
Ritmo
Em alguns lugares é carnaval.
Acordei pelas 6.00 e fui comprar ovos e pão na barraca da mamá que vou sempre na comunidade... as crianças pelo caminho e algumas das últimas mangas da estação colhidas no chão mesmo.
Vou para a cozinha e preparo aquele café com chicória que me dá uma saudade de café mas mesmo assim fico na degustação folheando uma revista em alemão por volta de uma hora. Não, eu não sei nada de alemão.
O dia passa lento, como um bom Domingo em Chimoio... um filme, dois filmes... um pouco de leitura... me arrisco e lavo algumas roupas! Um pouco de pesquisa sobre o norte de Moçambique para onde começo a ir esta semana...
Chega a noite e uma 'tormentita' ilumina ao fundo, depois das montanhas... a comunidade começa a cantar e bater tambor... a chuva chega, mas é pouca.
Me acorde na quarta feira de cinzas.
Aquele abraço
Posted by Thiago Caro at 3:31 PM 0 comments
Sunday, February 7, 2010
18:00
Ola,
Após 6 meses em Moçambique o final do voluntariado vai chegando... Ao mesmo tempo que sei que foi o suficiente por hora ainda mais pensando que isto começou para mim não aqui em Moçambique mas sim lá nos E.U.A a algum tempo, sei que em breve vou sentir muita falta daqui.
Esta semana terminei o trabalho de instalar uma pequena rede com internet em todas as oficinas pedagógicas, trabalho este que estava aguardando poder executar não de ontem... porém ao final acredito que o saldo tenha sido bem positivo. Entre os 7 vilarejos e uma vila, além de Chimoio, onde estão as oficinas da província de Manica, apenas 1 possuía acesso a internet, ao final 2 oficinas não puderam ter o benefício pois estão longe demais até do satélite... rs portanto 7 sucessos e 2 fracasssos. Tá valendo, claro que preferia que fossem todas mas nem tudo funciona como queremos.
Após a primeira viagem que terminou no Zimbabwe, faltava visitar 3 oficinas porém estas mais próximas a Chimoio e em lugares onde já estado anteriormente. A primeira que fica também em Chimoio pude ir a pé e pelo quase bom sinal que temos aqui funcionou sem problemas.
Em Sussundenga que fica a 1.5 horas daqui eu e Lydia chegamos no dia dos Heróis de Moçambique que por acaso é feriado nacional, em homenagem principalmente a Eduardo Mondlane e Samora Machel que são os dois personagens políticos pós colonização mais respeitados. O fato de ser feriado creio que deixou o gestor da oficina um pouco chateado visto que tirei boa parte do seu dia de descanso mas ele não deixou transparecer muito... Como o lugar é próximo (apesar da estrada mais que péssima) e era muito cedo, pude terminar o trabalho a tempo de ir a Dombe no mesmo dia, apesar de um voluntário estadounidense dos Peace Corps que não parava de falar o tempo todo.
A viagem até Dombe eu havia feito meses atrás porém daquela vez junto ao motorista Sr Magaeisa, o que fez a viagem ser muito agradável... utilizando o transporte local a coisa é um pouco diferente. O transporte para Dombe não é feito em vans ou nenhum tipo de carro fechado mas sim em pequenos caminhões abertos que levam umas 20 pessoas na caçamba mais suas respectivas bagagens, o chamado 'chapa aberta' que junto a poeira característica a todas as estradas daqui forma uma combinação que não é tão agradável. De qualquer maneira após 3 horas de espera para encher, a caçamba encheu... e como encheu... fomos em pé pois além de ser a maneira mais 'confortável' a vista é muito bonita e as chances de pular do pau de arara em caso de capotamento maiores... to brincando mãe, calma lá!
O caminho entre Sussundenga e Dombe é feito em meio a uma mata muito fechada (proteger se dos galhos é constante) e linda... no caminho vimos alguns macacos apenas, porém na região que está muito próxima ao parque de Gorongoza moram elefantes, leopardos e mais um monte de belos que por vezes cruzam a pista, diz a população local... 3 horas para percorrer pouco mais de 90km, algumas bananas pelo caminho e a noite dormida naquela acomodação mais que muito simples, porém muito simpática com sua cadeira de palha e latrina sem baratas.
Em Dombe o gestor não é lá tão rápido e dedicado ao seu trabalho... na capacitação que dei a eles meses atrás ele era o mais disperso... toda hora saindo para alguma coisa, nem aí com nada, não teve certificado. Fiquei um pouco mais de tempo com ele para certificar melhor que saberia como conectar e usar o acesso que foi instalado mas consegui voltar ainda no mesmo dia pois por muita sorte pegamos carona com uma van que ia para minha querida e pacífica (com quem não rouba, por que esses queimam) vila de Chimoio.
É isso aí, estou fazendo hora extra pois estou tentando ajudar com o início da loja de roupas usadas que está sendo montada na escolinha... Lydia conseguiu bastante doações para a construção do espaço e estou fazendo orçamento para a compra de materiais, pedreiro e tudo mais... porém tudo pronto para esta semana sair rumo norte.
Grande abraço!
FELIZ ANIVERSÁRIO PAI!!!!! TE AMO
Posted by Thiago Caro at 1:13 PM 1 comments
Thursday, January 28, 2010
Outro Zimbabwe... mesmo Zimbabwe...
Após a odisséia para deixar Harare que já começava a ficar um pouco pesada... cheguei a Gweru.
A resposta para a pergunta de por que alguém vai a Gweru é o Antelope Park, uma das muitas reservas do país e com algumas coisas que me chamaram a atenção enquanto fazia uma rota para estes poucos dias, como o fato de poder fazer o safari a pé, a pé com um leão ao lado!, em cima de um elefante, cavalo, charrete ou automóvel mesmo. Muitos parques só permitem fazer o safari com um automóvel próprio e no caso eu não possuo um, tampouco verba para alugar.
Gweru é uma cidade Hub por estar localizada bem no centro do país e portanto o movimento de transporte é alto e a cidade não muito atrativa, estilo inglês ainda lembrando muito aos muitos e muito semelhantes subúrbios dos EUA. Na cidade há pouca oferta de acomodação, porém o Midway hotel (USD 2O) foi uma opção relativamente barata mas com qualidade que não via a um bom tempo. A Comida... a mesma de Harare, todos os tipos de Inn, aquele fast food caro e pouquíssimos restaurantes com comida local barata.
Em Gweru um taxi que foi negociado pela bagatela de USD 5 me levou até a porta do parque porém chegando lá o taxista disse que havia combinado por outro valor 2 dolares maior e em Rands! Ninguém havia dito a palavra Rands na conversa e o taxista começou a criar confusão... após me encher muito o saco acabei dando o dinheiro para ele para evitar maiores problemas, sem perder a chance de demonstrar minha indignação com tamanha palhaçada. Na porta do parque uma conversa com o porteiro, pessoa muito interessante, enquanto esperava que algum carro passasse e me levasse até o acampamento que ficava 7km a frente caminhados já dentro do parque (com elefantes, wildebeests, zebras...) Esgotamos nossa cota de conversa após entrarmos no assunto Mugabe e a caminhada de 7km foi tranquila em meio a uma paisagem linda, com poucas espécies de gazela e muitos leões! muitos mesmo, mais de 100!!! porém em uma área muito grande e cercada, nesta área o parque recupera leões e os trata reinserindo na natureza tanto no Zimbabwe quanto em outros países da Africa subsaariana.
Chegando ao acampamento do parque uma boa estrutura e um senhor branco, sem um braço, com roupas de treinador me surpreendem... o parque não foi barato, mas também não foi caro pensando no quanto deve custar a manutenção de um parque como aquele, apesar dos USD80 de salário do treinador de elefantes. Não é cobrada entrada, pode-se fazer o safari a pé (USD 5) com o leão (USD 65) o que te garante que nenhum bixo chega perto de você e também que todos fujam ao te ver, com a charrete (USD10), com o elefante (USD 20)... custos justos. Cada centavo gasto vale a pena.
Após a reserva da Gorongosa em Moçambique, onde vi paisagens lindas e poucos animais, estava ansioso para ver algum daqueles grandes e famosos animais que conheço pelo zoológico... e desta vez pude ver alguns dos que ainda quero ver nestes meses em seus lugares de origem... percorremos o parque em charrete o que deu velocidade e possibilidade de visitar mais partes da reserva e permitiu ver no caminho Girafas, Zebras, Antilopes, Kudu, Búfalos, Impala, Gazela.... além dos leões de longe e os elefantes. Não poderia me dar ao luxo de pagar a caminhada com o leão, mas não pude resistir a dar uma volta em cima de um elefante na savanah... os elefantes eram fêmeas, com idade média de 20 anos (vivem até 80) e bem sossegados, durante a viagem elas colocavam a tromba para trás e eu enchia a tromba de amendoim... hehehe. Se um dia você puder dar um rolê de elefante, não pense 2 vezes!
Após percorrer o parque e dar um rolê de elefante peguei carona com os funcionários que iriam até uma vila próxima e de lá outra carona até Gweru onde passei mais uma noite no hotel bom e quase barato... no dia seguinte acordei cedo para seguir viagem a Masvingo, a cidade mais próxima as ruínas do grande Zimbabwe.
A viagem de Gweru a Masvingo foi um martírio longo... inacreditável.
Em Gweru resolvi tirar umas fotos da paragem de ônibus que era incrível, antigas coisas motorizadas de todos os tipos saiam para todas as partes do Zimbabwe... cavalinho de caminhão com carroceria de onibus chinês dos anos 60... minibuses com desenhos escolares chineses por trás de uma bandeira do Zimbabwe... enquanto tirava fotos no conturbado ambiente percebi que alguns homens me seguiam, nada de anormal, porém em certo momento pararam e começaram a perguntar o que eu estava fazendo tirando fotos... respondi que achava aquilo interessante e estava como turista, então começaram com uma história muito mal contada. Me cercaram, algo como 10 pessoas dizendo serem policiais e que seria proibido tirar fotos ali... perguntei pela identificação e indaguei onde estariam seus uniformes já que policiais no Zimbabwe são como mato (realmente muitos) e estão sempre uniformizados... um deles tentou me segurar pelo meu cinto da calça enquanto eu protegia minha camera e minha carteira... a multidão em volta do muzungo aqui aumentava... Nesta hora apareceram policiais verdadeiros ao longe, então disse: vamos ali conversar com seus amigos uniformizados... a multidão dispersou e no primeiro sinal de dispersão me dirigi rapidamente a meu onibus que esperava na paragem o momento da saída, pode-se também entender como o momento em que estivesse cheio até que ninguém mais pudesse entrar. A simpatia e total falta de ambiente turístico típica do Zimbabwe.
Depois de 2 horas de espera no ônibus, o mesmo partiu em direção a Masvingo... no caminho muita gente foi descendo até o momento em que apenas 32 pessoas estavam no ônibus. No meio do nada em uma paragem em um vilarejo qualquer o ônibus para e desliga o motor... o cobrador fala alguma coisa em Xhona que logicamente não entendo e as pessoas começam a descer... algumas mulheres que falavam ingles me informam que pelo fato do onibus não estar lotado a viagem não compensa para o motorista e portanto todos deveriam descer e se amontoar em um minubus, feito para 16 pessoas. Eramos exatamente o dobro.
Muita confusão e todo mundo está dentro do minibus... eu com minha mala e a mala de Lydia entre as pernas... um outro homem em frente com as pernas entre minhas pernas e as malas... como um outro homem teve que ir em cima de uma senhora que estava com um bebe, fui com o bebe no colo... atrás de mim havia um homem que deveria ir ao cirque du soleil pois fazia com suas costas o formato de um U durante duas horas enquanto se espremia em cima de 6 pessoas que ocupavam o lugar de 3.... A viagem nessa merda demorou 2 horas e ao descer precisei de uns 15 minutos parado para voltar a sentir as pernas e caminhar. Em certo momento me bateu uma grande tristeza por tudo aquilo, não entendo por que as pessoas aceitam isso, não reclamam... eu que não sou dali não estou em posição de reclamar muito e não podia esperar por outro transporte em meio ao nada pois se o mesmo não viesse estaria fudido... Há uma falta de respeito pelos camaradas seres humanos que chega a ser rídículo, todos estavamos pagando para estar ali.
Após esta viagem simpática chegamos a Masvingo, uma cidade relativamente desinteressante por si mesma, porém proxima as famosas ruínas do império que ao se dizimar formou o império Monomotapa, famoso pela resistência a colonização na região que hoje é parte de Zimbabwe, Moçambique e Zambia. Um minibus de Masvingo até as ruínas, uma caminhada de 2km aproximadamente até o portão... e lá estava... linda e imponente a cidade de pedra que começou a ser construída por volta de 1200 D.C e até 1600D.C abrigou grande população.
A passagem pelo portão custa a bagatela de USD 15 que apesar do orçamento restrito paguei com gosto... uma pequena caminhada e chega-se ao lugar chamado great enclosure onde as mulheres do rei viviam, ao final do império elas eram 200. Essa construção de pedra em círculo no vale abaixo da montanha onde estava a morada do rei é a mais bonita e maior das que estão no vale, com grandes caminhos de pedra, torres de observação, muros altos... tudo feito com granito empilhado que dura até hoje. Essa parte das ruínas é cercada por uma vegetação bem rica e com muitos babuínos que não tem muito medo de homem, cheguei bem perto deles e tirei boas fotos que estão no album do Zimbabwe.
Caminhando um pouco para fora desta parte das ruínas estão as muralhas que cercavam a área em que a população local vivia... as casas antigas que eram feitas de palha não estão mais lá, logicamente, porém a muralha está bem preservada e algumas habitações que pertenciam as primeiras mulheres 'sobressalhentes' do rei, feitas em pedra, ainda estão lá também.
Uma caminhada de 1km subindo a montanha e a parte mais bonita das ruínas, onde morava o rei e onde eram feitos os rituais, sacrifícios, festas e tudo o que era comum ao povo que lá vivia. Ao chegar em cima da montanha, nos deparamos com um senhor já de boa idade que nos acompanhou por esta parte das ruínas contando histórias do império antigo. Um local em especial me deixou arrepiado... A bandeira do Zimbabwe possui uma aguia que é símbolo do país, nesta parte das ruínas foram encontradas 7 aguias esculpidas em pedra (que estão no museu que fica no vale) que foram inspiradas em uma águia perfeita, formada naturalmente pela pedra mais alta que está na montanha... a águia natural é linda e as outras também. Abaixo desta águia um trono também naturalmente formado era usado pelo rei. Subir neste trono foi imaginar o passado, imaginar o rei no ponto mais alto da montanha fazendo um discurso para a população local que ficava na parte de baixo e poderia escutar tudo, graças a uma pequena caverna formada pela pedra ao lado do trono que amplificava a voz do soberano. Esta caverna era utilizada para toda a comunicação com a população, por exemplo no caso de uma tribo invasora aproximar-se das muralhas... do caralho!
O Zimbabwe é um país lindo naturalmente... muitos animais em toda parte... montanhas lindas com pedras que parecem ter sido empilhadas a mão... as ruínas sem comentários, não é a toa que são patrimonio da humanidade e a segunda atração mais recomendada no Zimbabwe pelo Lonely Planet ( a primeira é Vic Falls) eu que ficava louco vendo Os caçadores da arca perdida, Indiana Jones na sessão da tarde, tive orgasmos lá... porém as pessoas em Moçambique são infinitamente mais acolhedoras, pacíficas, simpáticas, amigas... o transporte, nunca vi nada pior... me sentia uma nota de dólar ambulante. Com certeza se as coisas se acentarem de vez por lá os turistas vão aparecer, fui a pontos turisticos e vi muito pouco turista, quase nenhum, eles tem que mudar o sistema economico por lá também por que utilizar o dólar em um país africano não soa como boa idéia nem para uma criança, tudo muito caro, distorcido, a riqueza gerada não fica lá.
É isso aí, espero que tenha sido possível passar uma pequena imagem do Zimbabwe nestes dois posts...
Aquele abraço
Posted by Thiago Caro at 1:25 PM 0 comments
Monday, January 25, 2010
Natty Dread it in-a … Zim-ba-bwe
Ola,
O trabalho em Manica foi o último entre as oficinas ao Sul da província de Manica, dali segui para o Zimbabwe pois ao passar a borda teoricamente teria meu visto que vai até dia 26, ou seja hoje, prorrogado por mais 30 dias... e também por que o Zimbabwe para mim é um dos países mais interessantes do Sul da África, sempre tive vontade de conhecer e pude um pouco em 7 dias.
Saindo de Manica um chapa (algo com motor) levou até a cidade de Machipanda no lado de Moçambique, lá o posto de imigração não foi problema, carimbo de saída e uma pequena caminhada de 1km até o posto de imigração no lado do Zimbabwe, onde precisei ligar para o Kuda e pegar um endereço de alguém residente no país para entrar, uma reserva de Hotel também funcionaria, pago os USD 30 financiados pela Humana e tenho o visto de turista para um mês.
Com o visto carimbado é necessário pegar um taxi até a cidade de Mutare, que é a primeira no lado do Zimbabwe, o taxi custa USD 3 por pessoa e chegar até a cidade sem ele é difícil e não recomendado já que são 7km no meio do mato. Atravessando a fronteira entre os dois países um babuíno atravessou a frente do táxi e mostrou que os animais respeitam a fronteira, já que Moçambique está com a fauna ainda bem reduzida mas o Zimbabwe continua bem povoado por animais ditos irracionais.
A cidade de Mutare é relativamente grande e com alguns edifícios em estilo bem diferente dos poucos de Moçambique pela colonização inglesa parecidos com os de um subúrbio nos Estados Unidos... sendo uma cidade de fronteira, o principal interesse é o transporte que saí de lá para algumas regiões do país e após duas coca-colas que custaram USD 1 um ônibus relativamente em bom estado me fez acreditar por alguns instantes no que Kuda diz sobre a diferença entre o transporte de Moçambique e do Zimbabwe... pena que por apenas uma viagem.
O onibus até Harare, capital do país, foi sem problemas e custou USD 5, no caminho o tempo todo olhava pela janela procurando algum animal em meio a mata e as lindas montanhas com pedras gigantes que parecem ter sido equilibradas a mão (Zimbabwe significa ‘Dzimba dza mabwe’ ou ‘grandes casas de pedras’) essas pedras também são as ditas ‘soft stones’, matéria prima de 50% do artesanato feito lá. Chegando a Harare me surpreendi com o tamanho da cidade e a semelhança, guardadas proporções, com Chicago... bonita cidade e por lá passei os 3 dias seguintes, seriam 2 mais um dia perdido ao final obrigou a uma mudança de planos. Ao chegar em Harare caminhei bastante até encontrar uma acomodação e o hotel Elizabeth (USD 25.0) me mostrou que o fato de utilizar o Dólar, desde que a inflação de 1.000% ao mês (surreal, tinha nota de 1 bilhão carimbado) acabou com o valor da moeda local, distorceu completamente a noção do valor do Dólar por ali e criou certos absurdos. Alguns vendedores locais de banana cobram USD 1 por 10 bananas! 10 bananas em Moçambique custam USD 0,15... o salário mensal de um treinador de elefantes, trabalho qualificado, é USD 80!. Além disso o governo americano enviou as notas de Dólar para a dolarização, mas esqueceu das moedas! Portanto se voce gastar 1,30 em alguma coisa, prepare-se para ter que pegar algo que leve a USD 2 pois as moedas de Rands (S.A) são muito insuficientes. Outro absurdo monetário é o valor dos Rands já que se estiver em Harare 1 Rand vale USD 0,10 e em Gweru vale 0.13 ! Quer ficar rico, vá a Harare, compre todo seu dinheiro em Rands, vá a Gweru e venda tudo!!! Faça isso eternamente e pronto. Outra peculiaridade é relativa a cartões estrangeiros... não podem ser utilizados para nada, saque ou compra, uma vez que o sistema bancário é desconectado do resto do mundo! Portanto se você vai ao Zimbabwe leve a quantidade de Dólares suficientes na cueca, tive que trocar meticais (Moç) e nenhum banco fazia o cambio... tive sorte de encontrar um mercado árabe que fizesse a troca pois os cambistas de rua também não trocavam.
Voltando ao Hotel Elizabeth o mesmo era caro e uma merda, ao lado da porta do quarto tinha uma porta de cofre que levava a um bar tipo balada (bizarro!) saí de lá correndo e caminhei bastante até que na 5th Street em frente ao parque Central (se fosse Manhattan, seria um pouco mais caro) encontrei o Palm Rock Villa, uma guesthouse que cobra USD 15 por um quarto bem mais descente e também sem casa de banho. A comida é outro diferencial de Harare... existem poucos restaurantes, quase nada de comida local e muito fast-food ruim! Uma rede que chamo de Inn (Baker Inn, Chicken Inn, Pizza Inn etc...) monopoliza o mercado de imitação ao Mc Donalds porém os preços, como para tudo, alto demais... em uma refeição gasta-se USD 8 facilmente o que leva o treinador de elefantes a poder se deliciar 10 vezes ao mês na rede Inn e nada mais.
Harare é uma cidade interessante pois difere muito da paisagem que a rodeia por muitos kilometros, porém acho que seria muito mais interessante se junto a este desenvolvimento nos padrões ocidentais houvesse maior semelhança com a África mesmo. Deixando de lado o transporte, tipicamente africano, as pessoas se vestem com cópias de roupas usadas no ocidente, não há mercados locais cheio de coisas locais apenas redes de supermercados com produtos de prateleira, a moeda é o dolar, a comida fast-food, tudo caro a música nos carros vem dos EUA... Apesar da música mais ouvida vir dos EUA fui a um show de música local extremamente bom em um bar a noite, com cerveja boa e barata... a banda tocou sem parar para respirar por umas 5-6 horas.
No que seria o último dia em Harare cheguei ao lugar de onde saem os ônibus para Gweru pelas 13:00. Após uma tradicional luta entre gladiadores (cobradores dos ônibus) pelo cliente, no caso eu, decidi entrar em um ônibus que foi prometido para sair em 30mins... Após 2 horas estava o ônibus que custou USD 5 partindo de Harare, nestas duas horas o motorista insistia em permanecer acelerando o ‘animal’ sem parar, chamando clientes, pensei : Ou esta merda quebra ou acaba a gasolina. Segunda opção.
Após esperar 2 horas, o ônibus andou por 500 metros e precisou ir no embalo até o posto de gasolina... chegando no posto um regador e o diesel alimentava a sede do ônibus e acabava com o dinheiro pago pelas passagens. O ônibus, uma merda, resolveu que graças a perspicácia do motorista não funcionaria mais e por 5 horas muita gente tentou fazer com que funcionasse, sem sucesso bomba queimada. Durante estas 5 horas de espera errei, pois se tivesse mandado o motorista á merda, esquecido os USD 5 e andado os 2 km de volta com minha mala bem pesada com artigos de trabalho, teria economizado 5 horas de paciência esperando a devolução do dinheiro ou que o ônibus funcionasse. Pelas 19:00 ainda naquele sórdido posto de gasolina um chapa com bandeira da Africa do Sul (lá são todos pintados por causa da Copa) parou e resolveu que por USD 8. levaria as pessoas que poderiam pagar até Gweru... como pagar Hotel de novo e perder o dia de viagem era pior entrei na Chapa, sem saber que carros sul africanos não poderiam pegar passageiros fora da Africa do Sul. O Movimento estava estranho e pouca gente no carro (sempre lotados até o máximo) o motorista volta e fala que vai tentar mais passageiros... após ele parar chega a polícia de bicicleta, com as armas apontando para o motorista... tiram o motorista do carro e algemam ele... resolvo jogar minha mala pela janela e descer (pela porta mesmo) por que a confusão aumentava e as pessoas se afastavam do carro... ao descer lembro que paguei USD 8, olho para o console e vejo o dinheiro lá... num movimento rápido pego meu dinheiro de volta e me afasto para o outro lado.
Nesta hora um rapaz e uma mulher que acabaram de parar no posto com um peugeot 206 oferecem carona até Gweru.... Éramos 6 e mais as compras para o funcionamento semanal de um pequeno supermercado dentro do Peugeot 206... O motorista estava com uma história muito mal contada que ia para Botswana e depois mudou a história... pela primeira vez recusei uma carona e depois de tudo isso resolvi que aquele não era o dia de ir para Gweru. Um taxi até a acomodação anterior e um dia perdido com transporte... O transporte no Zimbabwe se mostrou ao final da viagem pior que o de Moçambique e olha que é difícil. No dia seguinte bem cedo consegui um minibus que levou até Gweru... passar pela gasolineira a 2km do ponto de saída me trouxe más recordações porém desta vez a viagem foi sem grandes problemas, apenas o tradicional 5 no lugar de 3.
No caminho entre Harare e Gweru conheci outra tradição Zimbabweana... a propina ao policial em níveis que deixaria nossa ‘querida e amada’ PM com inveja. Nos 260 Km que separam as cidades, feitos em quase 5 horas, o minibus foi parado em contadas 8 oportunidades. Ora, se você quer fiscalizar uma estrada como rotina não coloca 8 barreiras em menos de 300km... a intenção é o cafézinho amargo. Em todas as paradas consegui ver claramente o momento em que o cobrador tirava algumas notas de Dólar e dava ao seu polícia... como uma rotina mesmo e é isso aí.
Como o diesel é raro já que em todo o sul da África ninguém produz petróleo outra característica do transporte por lá, percebida em algumas ocasiões é o abastecimento em meio ao nada. Em meio ao nada o ônibus para... de dentro do mato saem algumas pessoas com galões na mão tentando vender o que muito provavelmente é um Diesel queimado ou contrabandeado.
Welcome to Zimbabwe ! Por ser a capital, maior cidade, Harare merece uma visita... mas os sítios que pude ir nos dias seguintes foram bem mais a cara do Zimbabwe que eu imaginava.
Aquele abraço
Posted by Thiago Caro at 3:46 PM 1 comments
Fotos Atualizadas
Atualizei as fotos graças a uma conexão de internet milagrosa
Clicando no coração africano com a bandeira dos EUA (ficou horrível, eu sei) abrem todos os albuns... dos EUA de Moçambique e do Zimbabwe.
Grande abraço
Posted by Thiago Caro at 9:11 AM 1 comments