Obrigado pela visita!

Meu nome é Thiago Caro e em Novembro de 2008 decretei uma moratória a mim mesmo.
Morei um tempo bom em Michigan e viajei boa parte dos EUA em treinamento para o trabalho voluntário relacionado a educação que agora faço em Moçambique. Em Fevereiro de 2010 irei de Moçambique a Israel em uma viajem cruzando por terra, em transporte local, Tanzania, Kenya, Ethiopia, Sudão e Egito. Escrevo este blog como maneira de compartilhar minhas experiências e bobagens com todo aquele que ache interessante e fale português.

thiago_caro@hotmail.com

Thursday, July 9, 2009

Homeless Shelter, despedidas e diversão

Ola,

Bem, mais uma vez um longo espaço entre posts... na Africa voltarei a postar mais...

Estas semanas tem tom de despedida aqui no IICD... Estou trabalhando em minhas especializações, aulas aqui no IICD... aulas para levar a Moçambique... tenho tido um bom contato com o project leader lá em Moçambique e estamos definindo o que farei por lá mais especificamente... creio que ajudarei com Matemática, Inglês, História Geral e Informática, me parece muito bom... isso com os adultos já que a EPF é uma escola formadora de professores para as áreas rurais, mas estou quase certo que poderei também ajudar com as crianças em escolas primárias que possuem um tipo de convênio com a EPF, esse será o maior desafio acredito... por enquanto vai indo bem e estou satisfeito, saberei melhor lá se será possível fazer de tudo um pouco como estamos conversando... cada coisa a seu tempo.

Semana retrasada (veja como a tempos não escrevo nada !) trabalhei durante alguns dias em um Homeless Shelter (abrigo para sem tetos) em Benton Harbor, uma cidade aqui em Michigan que de verdade possui uma população predominantemente pobre... sem emprego... Michigan já foi um dos estados mais ricos dos EUA, porém nos últimos anos (não somente após decretado o início da 'crise') tem uma economia decadente, assim como as montadoras automotivas Chrysler e GM, que eram responsáveis por grande parte dos empregos diretos e indiretos em Michigan... Detroit que já foi a cidade da música, da prosperidade na indústria automotiva, hoje em dia possui muita gente desempregada, morando nas ruas, muitos prédios abandonados e etc... Detroit é meio deprimente mesmo... voltando ao abrigo...

Os primeiros dias trabalhando lá me deixaram um pouco chateado... fui buscar umas doações de cama, colchões, armários e etc em uma casa próxima... boas coisas, em bom estado... ajudei a carregar com o Mathis, responsável pelo abrigo, a pickup que levaria estas doações... no meio do caminho me surpreendo quando ele passa em uma loja de segunda mão e deixamos as doações lá..... ora, mas não eram doações para o abrigo? por que estamos deixando na loja... na verdade não fiz esta pergunta, fiquei quieto... dias mais tarde, quando já conhecia melhor as pessoas perguntei o porque daquilo... estava contente, poxa vamos chegar lá com camas e colchões novos... e de repente, deixo as coisas na loja! e então Mathis me explicou que aquela era uma loja do abrigo, onde sempre levavam as doações para que fossem revendidas e houvesse dinheiro para a compra de coisas mais essênciais... ok, menos mal... Nestes primeiros dias fui com Shinri, Andrea e Andrea, ajudamos a pintar boa parte da antiga e grande casa que serve de teto para umas 15 famílias.... mas ficava olhando .... poxa estamos aqui, pintando a casa para o pessoal, mas todo mundo que lá estava só ficava olhando sabe... tipo não estavam fazendo nada, só ficavam olhando... tudo bem nós nos propomos a isso, vamos continuando... 1, 2 dias e ninguém se mexia para ajudar... ok, ok, não vamos pedir, nós somos voluntários e é isso aí, se eles quiserem vão ajudar. No terceiro dia pintando um, ou outro começaram a oferecer ajuda... 'claro que pode ajudar, pega aquele rolo ali, a tinta ta ali, pinta ali'... e mais um querendo ajudar, e mais um... e outra... ufa! missão cumprida, vamos embora e deixamos as pessoas que vivem lá terminando o trabalho, vários, acho que conseguimos atingir nossa meta... as pessoas se mexeram e acho que pensaram, putz, tem uma japonesa, uma equatoriana, uma costaricense e um brasileiro pintando minha casa em troca de nada... acho que eu posso fazer também.... na verdade ficamos bem contentes e fomos embora... Outra coisa muito boa destes dias no abrigo foi brincar com a criançada, sempre vinha um ou outro, cheio de meleca contar alguma coisa, ou perguntar alguma coisa... ou só ficar olhando...

No final de semana seguinte, fomos acampar em uma região ao norte de Michigan... bem ao norte na verdade... quase quase em Ontario, no Canada... lugar muito lindo, o lago (o mesmo de sempre, que vc demora 20 horas para percorrer de carro sem parar, laguinho) com praias um pouco diferentes, com dunas de areia... ilhas ... bem bunito mesmo... camping aqui é um pouco diferente do Brasil... você só pode ir de carro, tem uma área delimitada para seu carro com um piso liso para a barraca... os banheiros são limpinhos, e você tem que pagar se quiser tomar banho!!!!! portanto banho no lago, é claro... fizemos um churrasco a lá americana mesmo... com carne de porco e marshmallow no final (me senti escoteiro mirim pelo marshmallow) o céu ali, um pouco mais surreal do que nesta parte onde moro em Michigan... pouca iluminação, portanto aquele show de estrelas mas com dia até as 11:00 da noite.... inclusive o final do dia naquele tom laranja roxo típico desta latitude... uma quantidade de estrelas cadentes que era meio inimaginável... não sei bem o que acontece com as noites neste lado norte, na verdade é meio confuso... mas é muito diferente... imagino no Alaska onde tem a tal aurora... ali deve ser surreal mesmo. No domingo voltei pois um pessoal estava planejando ir a Ohio no Cedars Point... maior parque de montanha russa do mundo, com a mais alta e mais rápida montanha russa do mundo... que desce de uma altura cabulosa a um angulo de 90... foi muito loco isso, fui nas 17 montanhas que tem lá... inclusive a mais longa também que parece que não vai acabar nunca mais... não tinha como perder, precisei gastar USD 40 na brincadeira... beleza...

Continuando na parte das diversões este final de semana foi 4 de Julho... e como creio todos saibam, aqui se comemora bastante a independência e blá blá blá... o que eu não sabia era que a festa era tão meia boca... Fomos todos a Chicago, tivemos que alugar carros inclusive, para que ninguém precisasse ficar para trás... chegando lá um tempinho de merda que perdurou até quase o final do dia... uma chuvinha rala, as vezes nem tão rala, mas intermitente... só foi parar no fim da tarde... não havia parada ( e eu pensando que ia ver todo aquele povo com bandeirinha na mão) os fogos de artifício ao final do dia um fiasco... jogo do coringão no paulista tem mais fogos que Chicago no 4 de Julho... e os sites 'especializados' diziam que Chicago era a 4 maior comemoração nos EUA... beleza... Não vou falar mais mal, por que a parte patriótica da coisa que eu pensei que seria tanta que seria chata não aconteceu... mas Chicago, como sempre, com coisas muito boas a fazer... havia um festival 'Taste of Chicago' com comida de todos os cantos do mundo e vários shows rolando... esse festival salvou o dia... Me perdi meio que intencionalmente pois já estava cansado de tanta gente em volta e fui até um palco que era o maior montado por lá... puta merda, quanto show bom eu vi... Chicago para a música é mesmo muito foda... muito blues de primeira neste palco, muita gente famosa e para fechar, Buddy Guy... nuossa com certeza melhor festival de blues que já fui... 'Come on, Baby don´t you wanna go... back to the same old place! Sweet Home Chicago!!!' . Não é todo o dia que se participa de um festival de Blues, na cidade do Blues, em um 4 de Julho...

E as despedidas.... ahhh as despedidas.... são um pouco difíceis mas é isso aí... por aqui tem um cliclo de aproximadamente 10 meses onde pessoas vem e vão... dos que chegaram comigo eu serei o ultimo a ir embora, portanto vou ver todo mundo indo... essa semana o time do Brasil inteiro foi ao Brasil... agora eles estão em São Paulo, vão viajar até a Amazônia durante um mês no período de investigação, antes de chegarem ao seu projeto, onde ficam por 5 meses... lá no sertão da Bahia... alguns bons amigos como o argentino, mas gente boa, Santiago... Duas pessoas do meu time, aqueles com os quais tenho dividido tudo nestes 9 meses também foram... como terminamos antes o fundraising, é possível ir antes do término do programa, e KBS (coreano) e minha amigona argentina Ivana seguiram essa semana... Foi meio difícil dizer tchau para a Ivana... fomos para o lago com mais alguns do time para lembrar de episódios engraçados, ilários ou somente episódios deste tempo aqui... agora ela está na Argentina já, onde vai ficar uns dias antes de seguir a Moçambique... lá em Moçambique vou ficar no mesmo projeto que o Moa (coreano) e o Rodrigo (brasileiro) mas de resto cada um segue para seu canto... é isso aí...

É engraçado lembrar de como as coisas acontecem aqui... parece que foi ontem que eu cheguei e estava meio confuso com tudo isso... hoje em dia amo este lugar e chamo de casa... temporária, mas casa... me dei muito bem por aqui mesmo e me permiti viver um bom tempo... que foi muito bom mesmo, de lições objetivas e subjetivas.... Agora que está acabando, sinto saudades, mas tenho a sensação de dever cumprido... logo mais pisando em terras tupiniquins novamente.

Aquele abraço

Sunday, June 21, 2009

Fotos Atualizadas

Ola,
Fiz uma pequena alteração na maneira de visualizar fotos no Blog. Cheguei a conclusão de que em breve isto ficaria uma zona completa, com os albuns alternando fotos do lado direito da tela sem parar, portanto deixei os slideshows de Dowagiac e do Mosqueteiro e criei um link, simbolizado pela bandeira que eu vejo todos os dias, em todos os lugares que leva a pagina dos meus albuns pessoais... Simplificando você clica na bandeira dos EUA e é redirecionado para uma página com meus albúns... Também atualizei minhas fotos, fiz o upload de todas na California (+ou-700!), da Florida, do Alabama, de North Carolina, Atlanta, Tennessee, Kentucky e mais algumas aqui em Michigan que estão no album IICD.
Se piorou, por favor alguém me avisa
Aquele abraço!


O

Saturday, June 20, 2009

De volta ao IICD

Ola,

Sim, sou um vagabundo, não escrevo a muito tempo… estou tentando aproveitar o tempo aqui estando bastante aqui mesmo e talvez por isso tenha sido um pouco difícil postar algo ultimamente... e outra, estava na California que é um lugar muito lindo, diverso e ocupei todo o meu tempo, ou trabalhando, ou conhecendo... acho que conheci bastante. Domingo passado as 4 da manha cheguei a Chicago e meu camarada Santiago, argentino mas gente boa, foi me buscar no aeroporto, agora em Michigan, fica mais facil usar um pouco do tempo para escrever alguma coisa.

Estar na California fazendo este trabalho, foi um dos grandes presentes que tive neste periodo nos EUA. O resultado do trabalho foi bom, não espetacular, mas bom. Foram iniciados 30 novos pontos para doação de roupas e brinquedos na regiao de San Francisco Bay… muitos nos vales de Sonoma e Napa… em todos os tipos de negócios, muitos nos mercados e gas stations de donos indianos que sao realmente dominantes aqui nos EUA…

Os simpsons realmente é um retrato perfeito de como se vive aqui, quando você vai a um mercadinho como o Kwik-e-Mart do Abu, a chance que o dono esteja usando um turbante é de 60%, 30% de o dono ser um indiano sem turbante, 10% que ele seja um árabe com ou sem turbante. Outros negócios dos mais variados ramos que possa se imaginar foram encontrados, na graaaande maioria o dono era estrangeiro… indiano, paquistanês, mexicano, egípcio… estadounidense, dificil…. Não se interessavam em hospedar uma grande caixa verde que nao lhe traria benefício nenhum… tudo bem, ainda bem que na California, o que menos se encontra são Red Necks… a língua oficial lá é o espanhol… em tudo o que se encontra de anúncio, propaganda, informação, aviso... a primeira língua é o espanhol, a segunda o ingles. Em muitos lugares quando vc entra falando em inglês, o atendente busca alguém que fale a lingua… achei bonito ver como os mexicanos que são um povo espetacular, aos poucos, sem contar para ninguem retomaram um territorio que era seu ate a corrida pelo ouro. Sei que a Califórnia é um estado muito grande e não conheci nem o extremo sul, nem o extremo norte, porém em todos os lugares onde passei por lá isso é uma verdade.

San Francisco é uma cidade fora do país… muito cultural e com uma identidade propria… as giagantescas ladeiras que já no primeiro olhar mostram a dificuldade que deve ter sido erguer aquela cidade em uma região tão montanhosa, são um charme, que propicia bondes que nao poluem nada até hoje transitarem e serem o principal meio de transporte na cidade… além dos bondes que estão lá desde o comeco do seculo, os onibus elétricos, que lembram aqueles que faziam o trajeto Museu do Ipiranga – Praça da Sé, ate poucos anos atras (alias, por que acabaram com aqueles onibus?) também são os mesmos… cheiram a novo, mas são os mesmos desde os anos 30... lindos, coloridos, silenciosos, sem fumaça… As casas, muitas em estilo vitoriano, são as mesmas a muito tempo também, porém como tudo, muito conservadas… Na verdade caminhar em San Francisco olhando apenas para a frente (para nao reparar os grandes edificios em Downtown) parece uma volta no tempo… uma suave volta no tempo. Andar pela Haight street, é de certa maneira voltar aos anos 70, quando o movimento hippie nos EUA nasceu por ali… as lojas com os mais loucos artefatos imaginaveis, os mesmos vendedores de LP dos anos 60, 70, hoje vendendo DVD e Blue Ray, mas sem esquecer de gigantescas salas somente para os LPs… os bares onde você não paga para entrar, toma cerveja PBR (ruim) por USD 2 e escuta um bom folk, tocado por uns hippies bem sujos, com tchello e violino… uma coisa de loco. Um dia fui a Alcatraz, aquela prisão tão famosa onde ficou por anos o Sr Alfonso Capone e mais alguns ilustres gangsters… achei amigável… conhecendo o Carandiru, achei quase um jardim da infância… os presos trabalhavam (o que creio seja bom, pois ocupa a mente) e tinham boa comida (pelo menos dizem) e celas individuais… além de uma vista maravilhosa para a baia de San Francisco, que creio era cruel, pois podia se ouvir os poucos barulhos da cidade, mas estando preso, não podia desfrutar nada de lá.... talvez mais próximo do que deva ser uma prisão para realmente recuperar alguém, bem diferente da Alcatraz de hoje em dia, Guantánamo...não sei. Fui também ao Six Flags, um parque em Vallejo, de montanhas russas… não precisei pagar o que foi muito bom, tudo muito caro, como sempre… Visitei uma floresta petrificada pela lava de um vulcão muito antigo (surreal), os vales maravilhosos, as praias nas regiões montanhosas, calmas, com ondas perfeitas, os rios que beirava durante o dia dirigindo procurando por negócios… no ultimo dia fui a um festival de balões, meio surreal em Windsor… aquele gigante do coelhinho da energizer tava lá… surreal mesmo… passei por todas as lindas pontes… tomei excelentes vinhos em meio a vineyards… tudo isso sem $$. A cada dia que passa vivo melhor sem $

Durante este tempo muito bom na California, muita coisa se passou pela minha mente, como sempre… mas desta vez com mais intensidade. San Francisco especificamente me soou muito familiar... aquela estranha sensação que as vezes acontece de ‘acho que já estive aqui’ foi bem forte e não sei o que significa. Sabia andar pela cidade, os vales tinham um cheiro familiar, houveram momentos estranhos… mas estar lá, talvez pelo fato que sou muito realista, sobretudo me fez pensar em tudo até chegar aqui… muita coisa passou, conheci muita gente, mudei muito. Esse trabalho lá foi muito bom, sempre que após certo sacrifio recebia um ‘sim, pode mandar trazerem a caixa’ ficava muito feliz… e não só por uma recompensa pessoal, visto que nao ganhei um puto e ainda desta vez, tinha pouco dinheiro para a comida… tinha dinheiro pessoal, mas a intenção aqui é não ganhar e não gastar… a recompensa era por poder estar realmente trabalhando, não pedindo doação desta vez (não que não seja realmente um trabalho, mas deixa para lá) e perceber o fruto do trabalho ali… praticamente acabamos o fundraising e de certa maneira, colaborando para a continuidade das DRH school através dos novos pontos de doação… como sempre por aqui sinto que colaborei… e ao mesmo tempo que tinha prazer pelo resultado do trabalho, tinha prazer por estar conhecendo os lugares, as culturas e as pessoas que conheci… Alguns dias fiquei hospedado na casa do Ben Miles, no meio de uma Vineyard… foi uma experiência muito boa… no último dia fiz uma lembranca, bem simbólica para ele.. uma colagem… ele adorou, o cara me hospedou por 2 semanas, por vezes me serviu um bom vinho, conversamos muito, vimos Tom e Jerry e tudo isso apenas por amizade a alguém não conhecido… meio loco isso tudo, as pessoas deveriam fazer mais este tipo de coisa, acho que pode ser uma boa experiência para qualquer um, viva o couchsurfing!

Visitando os negócios, já conseguia nos últimos dias saber a resposta antes de perguntar, mas peguntava a todos, marcava reuniões com aqueles que sabia que ouviria um não como resposta… com isso perdi muito em eficiência, conscientemente, porém ganhei muito em experiência, conversando com todo o tipo de gente.... percebi que em qualquer lugar, em qualquer estrato social, pode-se encontrar muita gente boa… muita gente com cheiro ruim… isso na verdade não é la grande novidade, mas beleza… um dia por exemplo conversei com o dono de um postinho de gasolina (indiano é claro) bem merreca no meio do nada, o cara foi um estúpido, cretino mesmo... no mesmo dia, fui a uma média indústria que utiliza energia solar para as máquinas, o dono, um perfeito lord inglês... me atendeu numa mesa imponente, serviu vinho, hospedou a caixa em um lugar bem a vista em frente a indústria, elogiou muito meu trabalho, passou meus contatos para alguns membros do Rotary Club de Sonoma... Esse tipo de experiência que contraria as primeiras linhas deste post, já que contei sobre o dia que o indiano do postinho me tratou como merda e o perfeito estadounidense bem sucedido me tratou como a um de seus clientes por exemplo, me ajuda a olhar sem preconceitos para ninguém... as primeiras linhas do post são um tipo de teste... o que você achou do que eu escrevi lá no começo? Fui preconceituoso ao dizer que apenas os estrangeiros ajudam por aqui?

Enfim, não sei se me expliquei muito bem, por que talvez não saiba muito bem o que explicar, acho que mesmo por isso, fiquei tanto tempo sem escrever, pois este post é difícil e não é muito bom, talvez daqui a algum tempo possa explicar melhor o porque foram tão importantes estas semanas na California. Estive relendo uns posts estes dias e percebi como muitas vezes, com poucas excessões me coloco distante do que escrevo, tenho que confessar que é um pouco intencional, mas acho que aí fica difícil descrever algumas coisas que se passam, já que teria que entrar em sentimentos e bla bla bla…
Viu só!

Enfim novamente, nosso time teve mais uma vez um bom resultado no fundraising… enquanto na California o pessoal estava em NYC, Philladelphia e mais alguns lugares recorrendo aos benditos doadores que nos ajudam… resultado final, agora estamos a uma merreca da meta e com um mês e pouco a frente, o que proporcionará um bom tempo para que faça bem feito minha especialização e termine meus estudos, agora que não temos mais que pensar em conseguir doações… Vou ainda dirigir o caminhão lá em Chicago algumas vezes, mas isso nao é la big deal…

Após 7 meses nos EUA sinto que agora está acabando… muita coisa a estudar e preparar para que todo o trabalho aqui deixe algum fruto na Africa, mas pouco tempo por aqui. Ao mesmo tempo que tenho certeza vou sentir muita falta de tudo por aqui, sei que foi o bastante, foi bem vivido e continua sendo… uma saudade vai aparecendo e um frio na barriga tambem… tipo, poxa daqui menos de 2 meses vou estar ajudando a ensinar em Mocambique… consegui teriminar esta etapa importante…. Consegui e conseguimos… começamos nosso grupo com 10 e são 10 que vão a Africa desenvolver seus projetos… poucos grupos terminam como começam… pessoas desistem… As coisas aqui nao são muito faceis… nao sei a impressão que deixo por este blog, mas na verdade nao são fáceis mesmo, isso aqui é para um tipo de gente que procura isso aqui.. entende? Se não consegue viver sem consumir ou decidir sobre algumas coisas individualmente , pensando não só no que é melhor para si, mas também para as outras pessoas ao redor, você vai embora…se aprende ou se aprimora a habilidade de dividir. Por isso, aqui o ambiente é muito bom, de muita troca, com raras excessões todo mundo aqui esta para ajudar, aprender, crescer, como diz o slogan ‘Develop the World, Develop Yourself’ …

É um lugar meio separado do resto do mundo o IICD, te proporciona olhar para o que se passa de uma maneira diferente… Um oásis de amizade e companherismo sem terceiras intenções em um mundo tão fudido por seres humanos que pensam muito em bem estar e esquecem que bem estar nao é algo que se consiga sozinho… a nao ser que seja o pequeno príncipe… ou melhor, nem mesmo o pequeno príncipe…

Mais uma vez enfim, tudo muito bem… o clima é ameno, as pessoas são gentis, a barba vai picando, percebo que valeu, vale, valeu muito, muito mesmo, tudo… agradeço… sinto o cheiro de Moçambique e sei que isso tudo foi uma boa preparação para este desafio… este é o desafio… e depois deste desafio terei um ainda maior.. Espero continuar assim.
Aquele abraço

Monday, May 25, 2009

San Francisco

Ola,

Cá estou em San Francisco, pouco posso dizer sobre o trabalho pois cheguei no domingo e hoje, segunda feira, é feriado aqui nos EUA. Algo relacionado com guerra.

Não posso falar sobre o trabalho, mas vou falar um pouco sobre três coisas... a primeira sobre o vôo... a segunda sobre o CCTG Califórnia (DRH School, como o IICD Michigan) e a terceira sobre San Francisco.

Ok, o serviço aéreo não é uma maravilha no Brasil... aliás, talvez pelo fato que eu sempre viajei com a passagem mais barata, pela companhia mais barata, no vôo mais barato, creio que nunca passei por um serviço aéreo que pudesse falar... Nossa, minhas pernas não estão doendo... ou nossa, que comidinha boa que serviram ... porém, aqui nos EUA, o serviço deveria ser de primeiro mundo, pensava eu... ia. Na primeira vez que voei internamente aqui nos EUA, o trecho Washington-NYC foi feito num avião muito velho da Embraer... apertado pra caralho, aliás o avião mais apertado que já vi... porém o voo era curto, como 1 hora, então ok, não deu para parar a circulação sanguínea dos membros inferiores... nem água foi servida... Desta vez, o vôo durou quase 5 horas com uma escala em Phoenix no caminho... um puta avião apertado da porra, não dava para se mexer, as pessoas levantavam e faziam alongamento constantemente... num trecho turbulento que durou uns 30 minutos, parecia que ia desmontar (American Airlines)... barulhento, cansado... tinha silver tape na asa que eu avistava pela janela (é sério)... mas isso não é o pior, em 5 horas de vôo, não foi servido nem um lanche... nem uma fatia de pão... uma merda.... a TAM de SP a Belo Horizonte serve até um whiskinho, junto com aquele pão com presunto característico. Resumindo, servicinho de corno este de vôo aqui nos EUA. Desci em Oakland na Califórnia, correndo para o primeiro fast food que enontrei...
Para não falar só mal do vôo, o dia estava lindo... fora o trecho turbulento e mais uns 30 minutos, não havia nuvens no céu... e foi durante o dia... cruzei os EUA desta vez de leste a oeste, não de carro, mas observando toda a mudança na paisagem... as florestas que ainda existem no centro do país... as Rocky Mountain (cadeia rochosa que corta do Alaska ao México) que são realmente gigantescas e intermináveis... o deserto do Arizona e Nevada... meio surreal, muito desabitado, com raras aparições de pequenas cidades quando um lago ou rio aparecia. Sobre a viagem é isso.

Sobre o CCTG Califórnia, o que posso dizer... pobres voluntários...
Estou aqui hospedado em uma casa do CCTG que fica em San Francisco, a escola em si fica em Etna, ao norte da California... essa casa serve como base estratégica vamos dizer, já que Etna é bem no meio do nada mesmo... centrada nas Rocky Mountains e próxima ao deserto de Nevada...
A escola lá tem outra estrutura, bem diferente... o pessoal vive separado entre homens e mulheres, os quartos ficam na escola e a escola fica nos quartos .... uma merda!... o fato de ser no meio do nada mesmo e ter essa opção da casa em S.F faz com que todos os DIs venham para ca... entao agora, essa casa de 2 dorms, tem umas 25 pessoas... para mim, umas semanas ok... posso aguentar numa boa... 10 meses de treinamento aqui nunca... nem amarrado. além do que todos reclamam de que o treinamento aqui é uma merda e o fundraising sempre termina mais tarde.

O melhor eu deixo para o final... San Francisco... ah San Francisco!
Como disse, o fato de um domingo e um feriado me deram 2 dias de folga logo de chegada... muito chato isso... então andei muito por San Francisco, na Downtown, na Bahia... puta cidade muito loca... a arquitetura é bem antiga, tudo o que sobreviveu ao terremoto de 1906 (não é muita coisa, mas dá charme) é tombado... peguei um bonde na Downtown, bonde mesmo, dos anos 20, que levou pelo sobe e desce da cidade até o outro lado aonde fica a Bahia de San Francisco... do caralho, os pieres, os cafés, tudo muito bonito... grandes navios de cruzeiro iates e lanchas mostram que o pessoal aqui tem prata... no pier 39, aonde estão muitos cafés, comi um pão italiano recheado com creme de lula que foi um absurdo... e apenas 5 dólares... mais barato que um fuckin Donalds meal... Entrei em alguns navios da segunda guerra que estavam atracados... visitei a galeria com mais obras do Andy Warhol (mas eu não gosto muito dele)... o curador não sei por que gostou de mim, fiquei falando merda para ele por um tempo, ele acreditou que eu era rico e estava lá por uns negócios escusos... hUauHAUhau... visitei também uma galeria de fotos do rock 70´s muito boa... Chinatown, mais uma e talvez a mais original de todas aqui nos EUA... Avistei alcatraz lá no fundo, e to chavecando para ir para lá a um preço voluntário nas próximas semanas... as pontes gigantescas, realmente monumentais, abissais, colossais... Bay Bridge, Golden Bridge... as praças muito pácíficas, com todo tipo de gente... as focas na Bahia... San Francisco é do caralho, resumindo... Gostaria de postar umas fotos agora mas esqueci o cabo em Michigan, portanto, infelizmente, não poderei...

E é isso aí... amanhã começo meu trabalho por aqui e para minha felicidade, a primeira área que tenho que trabalhar é o circuito de vinhos de NAPA Valley. Coisa fina...

Aquele abraço

Tuesday, May 19, 2009

Um pouco de não muito

Ola,

É eu sei, faz um tempinho que não escrevo.

Acho que estou um pouco preguiçoso nestas últimas semanas... estou sentindo um clima de que está acabando meu tempo por aqui... ainda tenho pouco mais de 2 meses no IICD, mas já começo a sentir um pouco de saudade.

Essa semana comprei meu ticket de ida a Africa, para 15 de Agosto. Vou daí de São Paulo para a África do Sul e de lá, vou de ônibus até Chimoio, em Moçambique, bem pertinho do Zimbabwe, onde ficarei por 6 meses trabalhando na EPF, Escola de Professores do Futuro. Como o ticket de avião precisa ser de ida e volta, já comprei minha volta para o Brasil também, mas isto ainda está longe... 10 de Maio de 2010... porém comprar este ticket foi uma grande decisão.

Meu projeto em Moçambique termina em Fevereiro de 2010, porém vou viajar um pouco mais pela terra mãe... Consegui com a Trine que meu Camp Future seja feito no Brasil, lá no Sertão da Bahia, na cidade de Cansançao... para que eu tente ajudar um pouquinho também no meu país, portanto terei uns 2 meses e meio de tempo não compromissado na África... e minha viagem será um tanto quanto audaciosa... estou pensando nela já a um tempo, mas comprar a passagem de volta não para Fevereiro e sim Maio, foi um compromisso assumido comigo mesmo de que vou realizá-la

Sairei de Moçambique e seguirei de ônibus para a Tanzânia... de lá, sigo para o Kenya, provavelmente de Ônibus também (trem e jipes são opções) ... do Kenya me dirijo ao Sudão... que será a parte mais perigosa do trajeto, e pretendo fazer de barco, pelo Nilo Branco... cruzando o Sudão, caio no Egito, onde devo passar uns diazinhos (já conheço um egípcio gente boa que se disponibilizou a hospedar o voluntário aqui)... finalizo em Israel, onde devo passar a maior parte do tempo desta viagem voluntariando num Kibbutz... um Kibbutz para quem não sabe, é uma comunidade judaica tradicional, desde muito tempo atrás... eles vivem copartilhando tudo, o trabalho, a comida, a terra... e desde as guerras após a independência de Israel (pelos anos 40, 50) eles aceitam voluntários estrangeiros para a comunidade... você trabalha junto com as pessoas, naquilo que lhe for designado e em troca tem comida, teto, e um dinheiro de bolso para conhecer um pouco de Israel... durante o período que se passa no Kibbutz, a comunidade leva os voluntários uma vez para conhecer Jerusalém... já tenho meu contato de Kibbutz também...
Voltando para o Brasil terei um pouquinho de trabalho para conseguir estes vistos todos, mas nada absurdo...

Tenho tentado estudar bastante... ainda estou apegado ao trabalho de levantamento de fundos, mas não como antes... acredito que nosso esforço inicial muito grande, gerou muitos frutos... nosso grupo deve chegar ao goal de USD 60.000 antes do esperado, e isso é muito, já que geralmente os grupos tem que passar um tempo a mais aqui para chegar a isso... nós em teoria poderiamos passar um tempo a menos... Semana que vem o pessoal vai para a região de Nova York para o que pode ser nossa última viagem de fundraising, se conseguirmos o resultado como nos anteriores, e meu trabalho que desta vez será diferente for bem, não precisaremos mais levantar fundos.

Eu vou neste sábado a San Francisco, na Califórnia... vou de avião e lá terei um carro e uma acomodação garantida... meu trabalho será procurar comércios para que possamos colocar caixas de doação de roupas... cada caixa que conseguir instalar vale USD 170 para nosso fundraising... ficarei por lá 3 semanas... Acho que como NY, a California era um dos poucos lugares nos EUA que queria conhecer, e terei uma boa oportunidade... mas meu trabalho não será muito fácil, visto que o fato de eu estar indo, coloca uma grande responsabiliade, já que o sitefinding (nome desta procura por comércios) é a atividade que gera mais verba individualmente por aqui.

Este Domingo fomos ao Lake Michigan... afinal não se pode vir a Michigan e não conhecer o Lake Michigan... realmente não dá para dizer que aquilo é um lago... realmente parece mar, a linha do horizonte, ondas, gaivotas, faixa de areia nas praias e conchas que mostram que realmente, um dia ali foi mar... Muito lindo o lago, fomos todos os que estavam aqui da comunidade latina e a tarde foi muito boa... Da Sears Tower em Chicago você consegue avistar o lago e percebe que realmente não tem nada a ver com aquele conceito de lago... que vc vê a outra margem e um monte de patos... mas uma praia era o que faltava para dizer que lá é mar...

É isso aí, não quero escrever muito não... percebi que agora vou para San Francisco e quando voltar... já estará quase na hora de ir passar uns diazinhos no Brasil e rumar para Moçambique... para todo mundo aqui, o tempo é cheio de recomeços, o que não faz os recomeços serem mais fáceis, mas dá uma boa força para recomeçar.

Um abraço

Wednesday, May 6, 2009

2x0 cheirando a goleada

Olá,

Nesta semana terminamos a segunda viagem de fundraising. Fiquei umas duas semanas sem postar, um pouco pelo cansaço, um pouco pela preguiça mesmo... Em meu ultimo post estavamos deixando Atlanta, na Georgia, depois disso, passamos uma semana e meia na Florida e alguns dias no Alabama.

Saindo de Atlanta tivemos nosso primeiro dia de folga e fomos conhecer a cidade... os sites olímpicos (olimpiada de 96, se não me engano)... o bairro onde nasceu o Martin Luther King Jr, onde as casas estao preservadas assim como eram nos anos 50 e também onde se encontra o museu, memorial e túmulo deste senhor. Fomos ao capitólio de Atlanta também e ao cair da noite seguimos em direção a Miami, na Florida, bem na pontinha dos Estados Unidos, sul do sul... uma viagem bem longa de 12 horas que não terminava nunca mais... Quando estávamos quase lá em Miami, já encontrando muitos mercados onde se vende laranja barata, suco de laranja, doce de laranja (laranja está para a Florida, assim como café em tempos passados no Brasil) acabou a gasolina de nosso carro... na verdade passamos um bom tempo apreensivos na estrada pois sabiamos que a gasolina estava acabando, porém nenhum posto aberto no caminho (eram umas 2 da manhã)... e agora? Fudeu... estavamos lá na estrada, na madrugada, com tudo fechado nenhuma alma viva... o único comércio aberto era um motelzinho de beira que tinha uma atendente indiana com um ingles sofríiiivel, que não ajudava em nada... solução, pede-se pinico e liga pra polícia... o atendente policial que recebe nossa chamada diz algo como “What a fuck! This phone is for emergencies!...” mas depois de 2 minutos chegam 3 viaturas da policia local, prontas para a ‘ação!’ Situação ridícula.. os policiais vão lá comprar gasolina numa cidade próxima... logicamente o Joo vai junto, tira fotos na viatura e interage com os policiais que claramente estavam fazendo seu único serviço na noite... a cidade onde paramos era bem pequena... neste momento pensei, ainda bem que a policia daqui é bem diferente... mas só neste momento...

Pé na estrada e chegamos a Sunrise, próximo a Miami, onde a Cláudia, brasileira que está nos EUA a 20 anos nos hospeda por toda esta semana. A Cláudia foi peça chave nesta parte da viagem... ela nos indicou para um centro espírita brasileiro, onde no domingo conseguimos uma boa grana... através dela também, conheci o Gustavo que me hospedou por um dia e me passou o contato da Rene... a Rene, me passou o contato do padre Luis que aceitou que fizessemos uma coleta em todas as missas do sábado e domingo na igreja... aí conseguimos muita grana mesmo... através da Claudia tambem fui apresentado para a Daia, uma brasileira de Pompano Beach que conhece todo mundo por lá... foi candidata a prefeita (segundo a Claudia) e trabalha com imprensa... consegui através dela permissão de alguns mercados brasileiros... ah, através dela tambem, conheci um padre brasileiro (não lembro o nome dele) que nos fez tambem uma boa doação... e assim foram os dias na Florida... contato com um brasileiro que levou a outro, a outro e a outro... assim conseguimos bastante doações por lá... Os coreanos que estavam no grupo também conseguiram bastante com as comunidades coreanas... nunca imaginei que houvessem tantos coreanos nos EUA, em cada cidade que passamos há uma comunidade coreana, influência da guerra na qual os EUA se intrometeram naquele pais....

Durante esses dias na Florida foi muito bom conhecer a comunidade brasileira de lá... eu e o Rodrigo acabamos ficando conhecidos... encontravamos as pessoas nos supermercados durante o dia, nos bares e shows a noite... na missa ao sabado e domingo... algumas vezes ouvimos “ vocês de novo! “. Vi bem a diferença entre as comunidades de Atlanta e da região de Miami (principalmente Pompano Beach)... enquanto em uma as pessoas passavam 20 anos vivendo por lá e estabilizavam sua vida, na outra estavam só para ganhar um dinheiro... em Atlanta os brasileiros eram vindos da região central do Brasil (Minas, Goias), na Florida a maioria vinha do Norte ou Nordeste, e quase invariavelmente os homens trabalhavam na construção civil e as mulheres com limpeza... Nas duas comunidades um ponto em comum.... muita gente voltou para casa por que não estava mais funcionando... muita conta para pagar ( a vida nos EUA é realmente muito cara ) e muito pouco trabalho. Em um supermercado brasileiro em Pompano (bem grande) durante a manhã, muita gente ficava ali, ociosa, esperando que alguém precisasse de ajuda numa obra durante o dia... quase nunca aparecia alguém que precisava... me surpreendi em um momento, já estava quase esquecendo que não estava no Brasil... aquele calor, praia, todo mundo falando portugues, guaraná antarctica... chegou um senhor que tinha um trabalho de reparos em uma casa naquele dia, mas precisava de alguém que falasse inglês fluente... cri.... cri... ninguém!! Tinham uns 20 brasileiros ali esperando trabalho e nenhum pôde ir. Também não se esforça muito a rapazeada não é. Encontrei também muitos brasileiros muito bem de vida.... com empresas de coisas simples como pintar números em casas... e bastante dinheito por causa disso... uma coisa é verdade, pode falar de crise, ou o que seja, mas só não consegue ganhar dinheiro aqui, quem realmente não se esforça. Depois de tudo isso, descansamos dois dias em Miami Beach.. e aquele mar verde claro de quem está muito perto do Caribe (160km de Cuba)... muito lindas praias, com suntuosas marinas atracando muitos iates de milhões de dólares... uma esbanjação... fui também ao Hard Rock Casino, joguei e perdi alguns dolares... bons dias de descanso...

Os últimos dias na Florida foram em Orlando, uma merda, perda de tempo... pensei poxa os brasileiros tão ajudando muito, em Orlando vão ajudar também... mentira! Uma cambada de snob que junta dinheiro por dois anos pra vir para a Disney empina o nariz e acha que é o máximo... encontrei muitos deste tipo... só turista comédia... teve um que enquanto estava em um supermercado passou e pisou nos meus jornais, borders e tudo mais... depois voltou com a mulher e a mesma foi lá e fez o mesmo... não sei qual o problema de algumas pessoas... imaginei a falsa perua contando pras amigas depois.... “Minina, fui pra Florida pra encontrar brasileiro pedindo dinheiro lá, vê se pode! Esse país é uma coisa mesmo... bom mesmo são os Estado Unido!, num ouvi ninguem pedindo dinheiro em inglês” ... heheh não aguentei

Saindo de Orlando sem ir a Disney, fomos ao Alabama, para Birmingham onde finalizou a segunda viagem do fundraising... e finalizou em grande estilo... conseguimos bastante dinheiro, ficamos numa casa muito estilosa, do David, muito gente boa.... típica casa do Alabama, com banco de balanço na frente e tudo mais... aquele piso de madeira do começo do século que estrala completamente quando vc pisa.... no último dia, ao terminarmos combinamos... vamos tomar uma cerveja nessa porra! E saímos descompromissados procurando um barzinho... dirigindo por Birmingham encontro ao longe muita gente caminhando na rua... uma roda gigante... vou até lá e percebemos que está rolando um festival bem grande de música... paramos e vamos até lá, muita gente... muitas barracas de tudo... era o festival anual de Birmingham... mas tinha um grande problema, para entrar era pago... USD 25,00. Não é nenhuma fortuna, mas o esquema aqui é não gastar dinheiro... me dirijo a um rapaz com camisa de staff e despretenciosamente pergunto o preço de novo... ele me diz o mesmo e logo retruco... poxa, mas já está tarde, somos voluntários e blá blá... o cara fala algo do tipo “quer saber, vem cá”... vamos lá, e o cara põe a gente pra dentro sem nem passar pela revista.... no que entramos começa o show do snoopy dog.... não pagaria para ver o show do snoopy dog, dava para ver seu ego reluzindo no palco... mas de graça foi bem divertido...

Resultado das três semanas de viagem... melhor seria difícil... conheci muitos lugares dos Estados Unidos que me mostraram uma cara bem diferente dos estados do norte que conheço... conversei com muita gente diferente, com diferentes experiências e histórias... paguei uma coxinha para um cara que tava sem trabalho no mercado e almocei com ex candidato a prefeito, gente de imprensa.... conheci duas das maiores comunidades brasileiras do Estados Unidos e tenho agora uma idéia mais clara de como vive um imigrante aqui... legal ou ilegal... falei na frente de muita gente em igreja brasileira, com muitos aplausos e doações, e consegui muitas moedinhas dos mexicanos em mercados de pulga... missas bizarras em koreano (desculpa mas foi mesmo) e grandes cafés da manhã oferecidos com rezas para nossa causa... churrasco, guaraná antarctica e brahma... 8.200milhas percorridas com bom humor... dias de descanso na praia... perder uma merreca no casino e comprar camisas GAP ou CK na Goodwill por USD 5,00.... e o resultado financeiro... USD 35.000 e agora a África é uma questão de pouco tempo.

Agradeço a todos que muito me ajudaram nesta viagem, com hospedagem, doações, refeições ou mesmo conversas e palavras de motivação em momentos difíceis... Essa parte ninguem vai ler mais vai lá.... Supermercados Goianão em Atlanta e Marietta, Minas Emporio nas mesmas cidades... padre Roger da comunidade brasileira de Atlanta, Padre Escaravelho de Pompano, Padre Carlos de Sunrise, Centros Espirita da região de Miami, Supermercados Seabra, Boca Brasil, Brasileiro... restaurantes Feijão com arroz, Mineirão.... Claudia, Rene, Daia, Gustavo, Julia Martin, Rose Krempel, David Corn, William Gilbert e todos os koreanos gente boa que não tenho idéia de como se escreve o nome.

Um grande abraço

Tuesday, April 21, 2009

A igreja salva

Ola,

Esses dias em Atlanta começaram difíceis.

No primeiro dia, uma merda... uma região de estadounidenses chucros, me fez pensar que vir a Georgia não foi lá grande idéia... o tempo todo me lembrava de um blues feito por não sei quem, mas em homenagem ao preconceituosissimo bairrista e provinciano estado da Georgia... o nome, ''I´ll never go back to Georgia''. Uma merda o primeiro dia. O que ajudou todos esses dias em Atlanta foi a nossa acomodação, nunca imaginei que pudesse ser tão bem tratado na casa de um desconhecido que nos hospedava voluntariamente. Fui bem recebido em todas as acomodações pelas quais passei, mas essa foi demais... todos os dias naquela gigante casa confortavel foram de cafes da manha fartos, varios lanches para que levassemos durante o dia, rezavam para nós pela manhã... no ultimo dia lá ainda doaram dinheiro para nosso projeto. A cultura é muito diferente, não era possível sentir-se realmente a vontade, mas não por que eles não desejassem isso. Realmente agradeço por algumas pessoas muito boas que vou encontrando.

Continuando, meus dias por lá não estavam fáceis. Os coreanos continuavam conseguindo muito bons resultados e sentia que deveria tentar algo diferente pois minha parte não estava dando certo. Fui a um mercado de pulgas, como são chamados os mercados mexicanos por aqui.. não deu certo também, os mexicanos são muito, mas muito boas pessoas... mas não tem situação facil por aqui... resultado, o segundo dia se mostrava uma merda também. Pensei... vou procurar a comunidade brasileira daqui. Fui próximo de onde o Rodrigo estava em um mercado brasileiro e comecei a procurar por algo... estava ficando ansioso....nada, só pequenos comércios, putz esse não dá... esse é muito pequeno... até que na frente de um achei o telefone e endereço de uma igreja que aos sábados tinha uma missa em portugues. É isso aí, vou tentar falar com o padre. Fui a igreja 3 vezes e ele não estava lá, até que finalmente alguém atendeu o telefone que encontrei, era a secretária do padre. Conversei com ela por alguns minutos e pedi para que o padre me telefonasse... e ele telefonou. Marquei com ele uma conversa as 6:00 na igreja, antes da missa.

Muito gente boa o padre Roger aqui da comuidade brasileira em Atlanta, expliquei para ele sobre o que estou fazendo e ele concordou em permitir que fizesse uma coleta de donativos ao final da missa que começaria em 1 hora (sábado a noite) e disse que avisaria sobre nós durante a missa. Fiquei lá com o Rodrigo e a Andrea na missa esse dia, o padre anunciou o que estavamos fazendo lá e ao final da missa ficamos do lado de fora com a cestinha. Bom resultado, mas ainda não compensava meus dias ruins. Conversei com o padre novamente e ele concordou que eu fizesse o mesmo na missa do domingo, em outra igreja da comunidade tupiniquim, essa bem maior e no domingo.

Domingo o dia foi melhorzinho, estava sem opção e voltei ao mercado de pulgas mexicano, mas só esperando a missa que seria as 7:30. A tarde caindo, nos juntamos todos para ir a igreja, muito linda e grande, bem grande. Chegando lá conversei com o padre que disse que desta vez queria que todos nós fossemos ao altar e que eu fizesse um ''discurso'' para nossa comunidade que lá estaria. Escrevi meu discurso em poucas linhas só para ter uma base do que falar, na hora da missa vejo a igreja cheia de brasileiros... muitos brasileiros e cheia... pessoas bem vestidas e percebo pelos carros que estão lá fora que os brasileiros tem uma situação financeira boa por aqui. Na hora da missa entramos todos juntos com o padre, como coroinhas... e nos sentamos lá na frente. Durante a missa presencio uma cena inusitada, o Joo, coreano que entende português assim como eu entendo coreano, não é católico, mas na hora da comunhão se dirigiu conosco junto ao padre para ter a hóstia e tomar o vinho... presenciei a primeira comunhão de um coreano! Quando fui avisar ele já era tarde demais.

O padre nos chamou para o altar logo após a comunhão e eu me dirigi ao microfone... Lá em cima vejo toda aquela comunidade brasileira, pego minhas anotações e ponho de lado, simplesmente tenho uma conversa com o pessoal que lá está... não sei dimensionar bem, mas creio que haviam umas 500 pessoas que falam portugues... a grande maioria brasileiros, mas tambem angolanos e portugueses... Meu discurso foi bom, senti que toquei as pessoas... todos aplaudiram. Nunca tinha falado para tanta gente, e mais uma vez fiz algo que nunca imaginaria, discursar para a comunidade brasileira em uma igreja em Atlanta... mas o resultado foi excelente... ao final da missa... Jackpot! conseguimos muitos dólares, muito mesmo... as pessoas comprimentavam o trabalho e doavam 20, 50, 100 dólares...

Hoje é domingo, vou dormir com uma felicidade extrema... por ter conseguido mais uma vez realizar meu objetivo e passar os obstáculos, e por perceber, tanto pela família coreana quanto pela querida comunidade brasileira que tanto me ajudou, que neste meu trabalho consigo muito dinheiro, mas não fico com um centavo, porém minha recompensa é muito maior... e afinal por aqui vejo tanta gente rica, com muito dinheiro mesmo, que não sabe nada além dos extremos limites de seu bairro e que vive em uma infelicidade tremenda com esse padrão de vida, em minha opinião muito cruel... de dívida... de querer sempre comprar, comprar, consumir... talvez dinheiro e felicidade realmente sejam palavras que não refletem uma relação causa-consequência.

Boa noite.

P.S – Coringão que me alegra, hoje vi os gols que nos levaram a mais um glorioso triunfo sobre aqueles do Morumbi.... Saudades de gritar meu amor a sua nação em uma tarde de domingo.